Sejam Bem Vindos

Espero que curtam e acompanhem meus posts. Conto com a participação de vocês com comentários, sugestões e até mesmo críticas, desde que construtivas.

O Cego de Jericó

Com certeza Bartimeu saiu de casa aquele dia para mais um dia de rotina. Vs. 46 – Sentado à beira do caminho (solitário) - Jesus era seguido de seus discípulos e grande multidão, ele poderia pensar: “será que ele me notará, fará alguma coisa por mim?”

O Vulto da Mulher da Foice

Diz a lenda que em uma pequena cidade do interior, um vulto de uma mulher vestida de negro e com uma foice em punho era vista em pontos diferentes do lugarejo altas horas da noite por muitas vezes.

Seus Olhos

Seus olhos me olham profundamente, Num brilho que reflete em minha alma, Lá no fundo eles me dizem o que seu coração espera,

É Verdade Amor

É verdade amor Não tem mais como esconder O que sinto por você. Relutei, não queria aceitar Pensava: Ela é minha amiga, não posso me apaixonar

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

UMA RELAÇÃO PORNOGRÁFICA II (A cópia das cópias)

Dia movimentado no centro de uma grande cidade. Gente andando pra todo lado, apressados ou não. Calçadas lotadas de pessoas em várias direções, homens e mulheres de todas as idades indo ou vindo de algum lugar com alguma missão. Seja ela trabalho, compras, visita, em vão. 

Isso não importa. Importa sim sabermos que enquanto seguem seu caminho cada uma dessas centenas de pessoas tem sua própria vida, sua própria história. 

Pobres, ricos, miseráveis, todos tem uma vida cheia de sonhos, pretensões, projetos, enfim. Alunos que estudam pra se formar, outros apenas por exigência dos pais ou do sistema, cada vez mais exigente quanto a diplomas e certificados para entrar no mercado de trabalho. Por outro lado mulheres grávidas que contam os dias, torcendo pra chegar no nono mês logo, pra essa criança nascer. 

Algumas dessas mulheres planejaram essa gravidez e estão felizes, outras não. Um acidente de percurso, um erro, sei lá. O certo é que ambas estão grávidas.
Não há tempo pra enumerar tantas pessoas e suas possíveis histórias cotidianas, escritas ao longo das horas e dias afinco.

No meio dessa turba caminha cabisbaixa e pensativa uma mulher, madura, experiente, uns quarenta, quarenta e cinco anos. Uma mulher sem nome, sem endereço (isso não importa). O único registro que se tem conhecimento dela é seu e-mail: mulhersemnome@semdocumento.com.br (que droga de e-mail é esse).

Havia saído do trabalho e caminhava com um rumo certo. Enquanto ela não chega em seu destino, podemos pelo menos imaginar como teria sido sua vida até então. Quando jovem se mudou pra capital pra poder estudar e formou-se em algum curso superior, talvez advocacia, secretariado ou administração. Pelos seus trajes, muito bem vestida, bem maquiada, os cabelos longos tinham passado por uma escova progressiva e estavam lindos, apesar de eu preferir os cacheados. [Que eu tenho com isso afinal, ela é apenas uma mulher numa história]. 

Carregava uma pasta, possivelmente continha documentos importantes. Talvez estivesse indo ao Fórum. Sei, pelo que me parece, ou pelo menos é o que minha mente me manda digitar, ela nunca havia se casado, se preocupou tanto com os estudos que não tinha tempo para os rapazes. Solteirona, morava sozinha e se dedicava ao trabalho e aos seus dois gatinhos siameses que cuidava com o maior carinho em casa. 

Gostava também de plantas e tinha um jardim em casa, onde morava, num bairro nobre da cidade. À noite costumava navegar na internet, passava por sites de relacionamento, talvez em busca de alguém pra conversar, combatendo assim a solidão. Na sala de bate papo apareciam quase sempre o Gatoneblue, a Marysolo, a Soleisolei, a Mimosa, parece até uma vaca. Até o Tição do Barro Fundo aparecia por lá. Algumas vezes apareceu o Desespero Sex em pessoa, virtual claro.

Enquanto isso ela continua sua jornada, as horas vão passando e a noite vem chegando, qual será o destino dela?

Em outro ponto da cidade caminhava um homem, que acabara de descer do coletivo e quase teve sua carteira afanada por um tal de Afanásio Já Sabe. Ele nem percebeu, devido estar concentrado no compromisso que tem daqui a pouco. Mas um policial que montava guarda por ali, percebeu a intenção do meliante e o prendeu em flagrante e descobriu que usava documentos falsos e inclusive o nome era suspeito. 

O coitado foi preso e depois de algemado foi colocado educadamente no camburão corintiano. Essa noite não seria preciso dormir na rua, debaixo do viaduto enrolado em jornais e papelão. Iria dormir num cimento frio do xilindró da 345ª DP.

Bom, voltemos ao nosso personagem. Um cara simples, de pouco estudo, sabe nada de computador e internet. Acostumado a trabalho pesado, mãos calejadas, “geralista” de estádio de futebol, não perde uma partida de seu time. Mas hoje seu destino não é o campo de futebol. Havia dias que este solteirão tinha marcado um compromisso importante que não perderia de maneira alguma. 

Bom, o cara de uns cinqüenta anos, cabelos grisalhos, cortado bem baixo, barba feita, vestira sua melhor roupa. Uma camiseta pólo azul escuro, mangas longas, calça jeans tipo Lee, índigo blue, tênis All Star que comprou numa liquidação, sorte que tinha seu número, 44.

Na carteira quase roubada estava o dinheirinho juntado com sacrifício para gastar sem economia nesse compromisso.

Ele, diferente dela, não tinha estudado além da 7ª série do 1º Grau. Teve algumas namoradas, mas nunca se casou. Suas namoradas sempre o trocavam por um cara mais rico, com carro ou moto. Ele andava sempre de ônibus e às vezes de bicicleta, um camelo velho que ele tinha. 

Decepcionado com os foras das poucas namoradas, desiludiu e não namora faz muitos anos, já até perdeu a conta.

Sabemos então que os dois tinham um compromisso importante essa noite, algo muito em comum. Caminhavam resolutos para o mesmo lugar.

Em instantes ela se aproxima do local, o ponto de chegada, ele também vindo de outra direção. Meio que empolgados e até distraídos do mundo se chocam, ele se levanta e da a mão para ela. Estavam em frente do cinema e ele a pergunta, também veio assistir o filme. Ela diz, sim.

Nossa câmera focaliza o filme em cartaz: UMA RELAÇÃO PORNOGRÁFICA II.

FIM

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

A MENINA ATAREFADA


Esta é a história da menina atarefada. Ela, a menina, desde criancinha sempre vivia atarefada com alguma coisa. Sempre cheia de energia nunca foi de ficar parada, exceto quanto seus pensamentos, sua imaginação entrava em ação.
Morava em uma cidade do interior, histórica por sinal, de ruas tortuosas, morros e vielas.

Certo dia ela estava brincando de bonecas e achou que estava sem graça a brincadeira, sem ação, sem adrenalina. Olhou para o canto de seu quarto e próximo à janela estava aquele velho par de patins de rodinhas que sua mãe já a havia proibido de usar desde sua última investida com o tal. Nem te conto o que ela causou por não saber se controlar sobre aquelas rodinhas. 

Bom, o pior, é que naquele instante, olhando para os patins foi como se acendesse uma luz sobre sua cabecinha futuramente ruiva, depois te conto. Levantou-se, largou as bonecas e foi aos patins, já maquinando o que faria. Calçou os patins, pulou a janela e já foi caindo na calçada sem ter tempo de segurar em alguma coisa. Como a rua de sua casa é numa ladeira os patins dispararam numa velocidade incontrolável, ainda mais para ela que nunca se deu bem com eles. 

Esbarrou num vendedor de bolo de arroz que passava esparramando a guloseima pra todo lado. Um ciclista que inventara de pedalar sobre a calçada foi lançado de quatro no meio da rua. Esqueci de dizer que mais abaixo na mesma rua tinha um hospital e quando ela se aproximava um acidentado estava sendo retirado da ambulância e colocado na maca. O doente estava consciente e quando deitava-se na maca olhou e viu aquela menininha descendo como foguete em sua direção e foi o tempo do enfermeiro empurrar a maca e ela passar, meio que descontrolada passou pela rua e foi parar na ponte sobre o rio da cidade. 

Não fosse a alça do suspensório da jardineira que ela usava, teria despencado lá de cima nas “límpidas” águas daquele rio. O resto da dessa história, nem te conto. Não há tempo para isso, visto que me lembrei de quando ela, a menina atarefada estava assistindo televisão e viu uma mulher de cabelo vermelho em um desenho, ou será que era o Pica-pau? Bom, não importa. O que importa é que ela a partir de então resolveu que queria mudar a cor de seus cacheados cabelos. Não sabia como faze-lo e passava seus dias pensando nisso. 

Um dia quando todo mundo tinha saído, ela reparou no vidro de groselha no armário da cozinha, vermelho, vermelho. Você já sabe o que ela fez, pelo menos imagina? Besuntou seus cabelos de groselha e nada de ficar vermelho. O que ela conseguiu foi ser perseguida por todos os mosquitos da região. Outra vez experimentou extrato de tomate e os mosquitos voltaram. Um dia pegou um vidro de xadrez vermelho que era usado pela mãe pra passar no piso da casa. Colocou os óculos escuros de sua tia e começou a passar o produto no cabelo com a escova de barbear de seu pai. Ai, ai, ai, quando a mãe dela descobriu essa arte, hum. 

Foi preciso lavar os cabelos muitas vezes com xampu e condicionador. E seus cabelos continuavam castanhos.
Bom, o tempo passou e a menina ficou cada vez mais atarefada. Atualmente ela já de cabelos vermelhos, pois descobriu que bastava procurar uma boa cabeleireira pra fazer a transformação. Quando se olhou no espelho e viu suas mechas abriu um grande e lindo sorriso. Era como se dissesse: “Yes!”
Seu espírito era mesmo de ruiva.

Agora, crescidinha ela tinha tarefas a executar em casa. Todos os dias era aquela história de bater a poeira dos móveis, arrumar as camas, varrer cômodo por cômodo, recolher o lixo, passar pano e muitas vezes era necessário encerar. Sem contar lavar os quatro banheiros, lavar as vasilhas do jantar e ainda preparar o almoço. Duas vezes por semana tinha que lavar e passar as roupas da casa.

A menina atarefada andava meio cansada dessa rotina e então um dia conversando com uma amiga descobriu que existia um tal de computador e uma tal de internet. Ainda mais, sua amiga lhe disse que na internet ela encontrava de tudo. Enquanto sua amiga falava sua imaginação, fértil que era começou a pensar na possibilidade de encontrar um meio de fazer um clone seu pra fazer suas obrigações diárias enquanto ela ficava a toa de pernas pro ar. Quando tudo estava arrumadinho, sua amiga tasca-lhe um beliscão e diz: “Acorda menina. Me deixando aqui falando sozinha enquanto você pela ‘quinquionésima’ vez viaja em suas histórias”.

Bom, apesar de sua amiga ter saído chateada, ela nem se importou, correu até uma loja de informática e comprou um computador e encomendou a instalação de internet, banda larga claro, pois ela era muito espaçosa, ihhhhh!
Bom, a intenção era de descobrir um meio de cuidar de suas tarefas caseiras sem ter que mover uma palha.

Assim que tudo estava instalado em sua casa, sua vida virtual começou. A questão é que logo descobriu um tal de msn e foi adicionando contatos e mais contatos que quase não tinha tempo pra mais nada a não ser conversar no msn. Ela gosta tanto de vermelho que ao invés de uma foto sua no perfil do messenger, colocou uma foto do pôr-do-sol, bem vermelho.

Um dia, em suas pesquisas, apareceu a foto de um homem na lua e então ela começou a imaginar-se andando sobre nosso satélite natural. Onde ela na verdade passava a maior parte de seu tempo, no mundo da lua. Além de encontrar o astronauta americano e perguntar a ele porque a bandeira dos Estados Unidos e não a do Brasil ele estava fincando em solo lunar. Encontrou também São Jorge e perguntou pra ele como ela poderia se livrar de suas tarefas diárias, e quando ele ia responder, ela ouviu o sonsinho do msn chamando. 

Era um contato seu, um tal de menino momentaneamente parado, é que o cara estava desempregado. Em sua conversa com ele, digitava uma frase, corria dava uma varridinha no quarto, digitava outra frase até que veio a idéia de arrumar um robô pra fazer seu serviço. Ela mesmo se lembrou do desenho dos Jetsons, onde eles tinham uma robô doméstica que cuidava das tarefas da casa e ainda não recebia salários pra isso. Surgiu então a idéia de seqüestrar Rosie, a robô do Jetsons, mas não seria fácil, pois o cão Astor estava sempre atento vigiando a casa.

Era hora de colocar a cabeça em ação pra bolar um plano que fosse perfeito. O grande problema é que ela vivia num mundo quase real e a robô era um mero desenho animado. Além do mais suas tarefas não eram virtuais e estavam lá pra serem executadas todos os dias.

Ficou imaginando a poeira, o lixo e toda sujeira da casa se acumulando e então resolveu que o seqüestro teria que acontecer o mais rápido possível.
Como essas coisas não podem ser feitas sozinha, pois tem sempre que ter um cúmplice, então chamou o menino momentaneamente parado pra lhe ajudar.

Sabia ela que a melhor maneira de bolar um plano era dormindo. Lembrou-se que sempre quando fazia suas maiores estripulias havia sonhado com alguma coisa na noite anterior. Uma vez fez até uma viagem para a Amazônia e só não foi executada por uma tribo indígena porque sua mãe a acordou pra ir pra escola. Ufa! Que alivio. Como já era noite, foi dormir. A ansiedade era tanta que nem desligou o pc, não escovou os dentes, nem mesmo deu comida pro papagaio (dormiu com fome o coitadinho). 

Não conseguia pegar no sono, pois ficava pensando na Rosie limpando sua casa todos os dias e sorria sozinha iluminada pela luz do abajur cor de rosa em sua cabeceira. Bem que ela queria um vermelho, mas sua mãe não gostou nem um pouquinho da idéia. Será porque, ah, deixa pra lá.
Dormiu, e dessa vez a menina atarefada nem parecia ela mesma. Estava quietinha na cama, nem mesmo as muriçocas a atormentava. Se fosse numa noite normal, teria rolado, remexido, batido nos pernilongos.

Mas aquela noite era especial. Enfim, sonhou.
Ela e seu comparsa estavam vestidos de palhaços com cabeleiras vermelhas, macacões azuis e voavam dentro de uma canoa, foram parar no espaço e viram muitas e muitas estrelas passarem, sobrevoaram cidades, cruzaram com banheiras, cadeiras, panelas, vassouras e tanquinhos voadores, coisa mais estranha. Tinha até um papagaio que mais parecia uma arara vermelha pedindo comida o tempo todo. O som da canoa voadora deles era um misto de ronco com o zoado de muriçocas. Tinha até um sol vermelho no cenário que se montava no decorrer do sonho. Barulho de msn, e sons variados, normais de computadores tilintavam pelos ares.
 
Em determinado momento eles chegaram numa cidade onde as casas mais pareciam aqueles porta bolos de confeitaria, redondas com uma tampa transparente. Quando viram estavam próximos da casa dos Jetsons e Rosie estava em sua cama dormindo. Uai, robôs dormem. Bom, nessa história aqui sim. Estacionaram a canoa foguete sobre o telhado de uma casa ao lado e amarraram a boca do papagaio com fita adesiva, vermelha, pois o famigerado não cessava de pedir comida. “Curupaco, loro, quero comida. Curupaco-papaco, quero comida, loro.” Era melhor que ele falasse “quero comida, ruiva”.
 
Cada um tinha um ventilador de teto preso em suas roupas ligado a um gancho, como se fossem chapéus.
Ela, levava em suas mãos um pacote de sorvete de cereja pra alimentar Astor que já estava atendo quase latindo. No momento que eles adentraram a área da casa ele abriu a boca pra latir e ela enfiou todo aquele sorvete goela abaixo do cãozinho que se calou imediatamente.
 
Já no quarto da robô, eles pegaram um saco de linhagem, sempre vermelho pra coloca-la. E o fizeram com tanta facilidade, que só em sonho. Na verdade, a menina atarefada disse pra Rosie se levantar e entrar no saco e foi isso. A menina estava irradiante com tudo isso. Estava conseguindo executar seu plano de forma irrepreensível. Podia-se notar uma alegria enorme em seu semblante. Em seus pensamentos ela dizia: “Oba, não vou mais ter que fazer todas aquelas tarefas caseiras, agora tenho uma robô domestica, viva, viva. Sou mesmo uma ruivinha de verdade.”
 
Agora, diferente da facilidade pra colocar Rosie no saco, foi a dificuldade para os dois carregarem-na até a canoa. Uma coisa é certa, não faziam nenhum ruído ou então a família Jetsons tinha o sono pesado.

Tudo bem, apesar de ter que carregar a pesada robô, num instante estavam sobre a canoa, ela, a menina atarefada, contentíssima. Ela que muitas vezes questionava essa questão de felicidade. Agora sim, se sentia feliz. Na verdade nunca esteve tão feliz.
Naquele instante soava estridentemente uma sirene, o som era altíssimo...
Foi quando ela acordou. Era seu celular que tocava. Chamada do SAMU, avisando que seu plantão havia sido alterado.


Essa é uma obra de ficção e qualquer semelhança com a vida real não terá sido mera coincidência.

FIM

sábado, 2 de fevereiro de 2008

O ROCK DA MOTOSSERRA


Cochilava hoje à tarde diante da televisão, quando acordei com o barulho de uma moto serra vindo do fundo de meu quintal e fiquei pensando se meu irmão Derinho estivesse por aqui, não iria agüentar aquele barulho chato e incessante em seus ouvidos.

Bom, acredito que você não esteja entendendo nada, acertei? Pode deixar que explico.
Existia no quintal de minha casa um pé de tamarindo enorme que além de fazer sombra em sua volta em dias quentes e ensolarados, também distribuía enorme quantidade de folhas minúsculas de seus depósitos não só para minha casa, mas também para a casa dos vizinhos.


Imagine um dia em que os ventos resolvem apostar corrida justamente na região em que você mora e sopram “levemente” as galhas da tal árvore, é uma tragédia, pois provoca uma chuva em pleno verão, mas não de água e sim de folhinhas de tamarindo “inundando” as casas de sujeira "tamarindica". As donas de casa de plantão me entendem muito bem.


O fato é que cansado de tal situação meu vizinho resolveu derrubar a famigerada árvore, mas isso não foi essa tarde, e sim uns dois meses atrás. Então você deve estar se perguntando o que a motosserra fazia ainda em meu quintal? Sim, posso lhe afirmar que não estava querendo degustar as saborosas mangas Bourbon, pelo menos por dois motivos: primeiro, não é época de manga e segundo, moto serra se alimenta de óleo diesel. E antes que você me pergunte, ela não come madeira, apesar de cortá-la com seus próprios dentes.


O fato é que os restos mortais da tamarindeira permaneceram no fundo do quintal e o vizinho lenhador vem vez ou outra cortar a madeira para levar a lenha pra sua fazenda aqui perto da cidade.
A questão é que o som é alto, chato e incomoda muito, não permitindo que se escute outro som, seja de rádio, televisão ou até de carro de propaganda volante. E a tal serra é tão cruel que quanto começa a entrar na madeira não quer parar mais, aí haja ouvidos que agüente.


Agora, já pensou se o som emitido por essa máquina fosse do rock de Elvis Presley? Fiquei imaginando agora a pouco como seria. Quando o som começasse, galhas, tronco, folhas secas de tamarindo ganhariam vida, se levantariam e começariam a dançar influenciando as demais árvores e vegetais do terreno e vários insetos, como, aranhas, formigas, abelhas, mosquitos e ainda as lagartixas e até as molengas das lesmas começariam a se mexer e os desconfiados escorpiões sairiam de suas tocas e seria uma festa e tanto de fazer inveja em muita gente. Hummmmmmmmmm!!!!!


Como não foi nenhum fã de Elvis que inventou a motosserra, acredito, apesar de não ter visto, que a “insetaiada” fugiu pra bem longe ou então colocaram os dedos nos ouvidos por não agüentar o tal som (seria dos Beatles, ou Banda Calipso?)
Eu? Claro, preparei rapidinho um playlist do Rei do rock... “Come on everybody and snap your fingers now...”


(Heron do Carmo pouco inspirado e cheio do barulho da motosserra, 20:05 h. Noite fria em Goiás cidade).

DIÁLOGO NO MSN - KKKKK x INTERNAUTA


Bom dia, senhor, este é o MSN da Rádio K?

Não senhor, houve um engano por parte de V.Sa., este é o msn da Rádio Sorriso.


Informo ao senhor que já existe uma rádio Sorriso, cavalheiro. O símbolo da emissora é o Tião Macalé.

Mais uma vez percebo que V. Exa. está equivocado, pois sorrisos existem muitos, inclusive uma marca de dentifrício. Mas sorriso como nós não existe, somos únicos.


Sugiro a sua pouco conhecida emissora que busque alternativas de nomes para não incorrerem no risco de serem processados judicialmente por plágio. E, uma vez que citei as alternativas, é mister lembrar vossa senhoria de que já existem também muitas estações de rádio com o nome de "Alternativa", tornando-o proibitivo em favor da ética e da originalidade.

O Senhor continua a insistir nesse mesmo assunto, me parece não ter percebido que além do nome de nossa emissora, foi incluso em nossa última fala digital o nosso slogan: "Sorriso - Como essa não há, sua única rádio". E tenho dito, entenda bem, não é Benedito nem muito menos veredicto.
E ainda, tudo está no idioma do sorriso na internet, caso o Senhor não saiba o mesmo consta apenas de uma letra, ou seja, "k".


Nobre e beligerante senhor, sua insistência em isentar-se de responsabilidade neste sórdido plano de apropriar-se do nome de outra empresa faz-me, pela primeira vez em toda a história da minha interação com a rede mundial de computadores, utilizar de um recurso banal e por mim sempre rejeitado. No entanto, não vejo outra saída senão, de forma padrão e internacionalmente conhecida...
... Rir de sua atitude pussilânime:
KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK!

Até que enfim percebo que Vossa Excelêntissima pessoa, permitiu cair a ficha ou passou a unidade telefônica e resolveu seguir o antigo ditado popular, (não diário da manhã ou globo, estadão) "Se não conseguimos vencê-los, juntemo-nos a eles, e como prova material do crime, conversou conosco em sua última digitação em nosso idioma. O idioma da Sorriso.
Urge a aplicação por minha parte de palavra capaz de transmitir a exata idéia que faço de vossa Rabugência:

Cretino.


Prova ainda mais cabal de vossa humildade ao reconhecer seu erro e desejo de retratação, apenas escreveu a palavra de forma errada, o certo seria: KRETINO.


Aldaz! Recua diante de nova e agressiva injúria, ou me verei obrigado a atingi-lo com a argúcia, destruindo seus raquíticos argumentos com o manuseio correto do vernáculo. Cretino, Cavaleiro do Ocaso Linguistico, escreve-se com a letra C. Ou com Bic.

Assume logo sua adesão a nossa sociedade Sorriso, vejo que o senhor tem todas as características para se tornar um sócio vitalício, basta apenas concordar em usar "k" ao invés desta outra rélis letra que me rekuso a citar.


Ficai, ó rastejante defensor do fim do idioma, com sua letra K, e fazei o com ela o que bem entendes.

domingo, 22 de julho de 2007

TRÁFICO DE SEMENTES? PARTE 2


Como pudemos observar anteriormente, a notícia propagada pela emissora de rádio local sobre um pastor da cidade ser suspeito de tráfico de sementes dos Estados Unidos para o Brasil andou de boca a boca até chegar a casa do mais conceituado e respeitado sacerdote de Vila Boa. 

O que as pessoas não sabiam é que tudo isso não passa de um mero equívoco, e muito menos que o citado pastor tem identidade secreta e teria ido até a terra do Tio Sam por outros motivos.

Em um determinado dia, uma fiel da igreja dele foi visitá-lo para contar-lhe as boas novas.
— Pastor, o senhor é sempre um homem muito ocupado, tão atarefado com a obra que não deve ter tempo de ouvir rádio, nem é homem de dar atenção para conversinhas (pra não dizer fuxicos). Por isso vim até aqui contar-lhe as novidades, afinal de contas o senhor ficou tanto tempo fora da cidade, não é mesmo?


— Sim, minha irmã! Mas estou com pouco tempo agora. (Enquanto falava com ela pensava consigo mesmo: Meu Deus, tenho que pensar uma maneira de evitar que as pessoas descubram que sou o homem que a polícia federal procura, como elas iriam acreditar que sou apenas um caçador de ratos e não traficante de sementes?).


— Mas pastor, o senhor não sabe que agentes da polícia federal estão aqui na cidade a procura de um pastor suspeito de trazer sementes proibidas dos Estadunidus pra cá?
— É, minha irmã?


— Sim, é uma tal de dolarisverdis. Diz que é só plantar que dá, e aí vai ficar rico, da muito dinheiro.


Enquanto a irmã contava o que sabia sobre o assunto ao pastor, agentes da polícia federal que vieram secretamente (é o que eles pensam. Se aquela irmã(?) está sabendo, Goiás inteiro também. 


Ops, falei demais!!) Estavam em uma determinada casa num bairro supostamente nobre da cidade interrogando um pastorzinho pequeno e franzino, chamado Silva.
— Diga logo o que queremos saber senhor.


— Mas dizer o que senhores, não sei do que se trata.


— Olha, não adianta ficar fingindo que não sabe, nós já sabemos de tudo.


— Mas de tudo o que? – Disse o Pastor Silva.


— Da trama toda, esse negócio do senhor viajar para os Estados Unidos levando alimentos na bagagem, até bolo de arroz levou, isso é tudo desculpa, pra não dizer estratégia sua para enganar a polícia americana nos aeroportos.


— Já disse, não sei do que se trata. Que história é essa de Estados Unidos, bolo de arroz, urgh! eu nem gosto disso.


— Fala logo que viajou aos Estados Unidos recentemente. Pensa que nos engana.


— Eu fui até Israel recentemente, mas não teve escala nenhuma na América.


— Ahá, então saiu mesmo do país como pensamos? É mesmo suspeito de tráfico de sementes de dolarisverdis.


— Vocês estão loucos, eu gosto muito de dinheiro, mas não consegui ainda essas sementes, elas são muito difíceis de se conseguir. Ih, falei demais. Bom, é, eu fui até Jerusalém, na terra santa, mais nada, tenho testemunhas.


— Senhor, tudo que disser está sendo gravado e será usado contra o senhor no tribunal. (Nervoso) E vá dizendo logo que história é essa de estar atrás de sementes de dolarisverdis.


— Não sei de nada.


— Como não sabe, acabou de falar.


— Não falei nada.


— Claro que falou.


— Não falei. Só disse que fui até a terra santa, mais nada, e eu nem gosto de bolo de arroz.


— Agente Pateta, mostre a gravação a ele.


— Que gravação senhor, não estamos gravando nada, nem ao menos trouxemos gravador.


— Você tinha que dizer?


— Bom, senhores, acho melhor se retirarem de minha casa, visto que não tem provas contra mim. (Pensando em voz alta: Ninguém me viu chegando com aquelas sementes). E da próxima vez tragam algum mandado.


Os agentes saíram sem conseguir nada. Entrando no carro comentaram:
— Senhor, será que vamos conseguir descobrir quem é o caçador de ratos nos passando por agentes da polícia federal?


— Fale baixo, ninguém pode descobrir que estamos fingindo ser policiais. Se nos descobrem, nosso superior nos castiga.


— Nem pensar chefe, ficar preso no esgoto de New York de novo cheio daqueles ratos idiotas, nem pensar.


— Temos que descobrir logo se o tal caçador de ratos se esconde nessa cidade, senão o Grande Mick Eimouse nos mata.


— E quando descobrirmos, devemos levá-lo até o grande chefe?


— Não, claro que não!


— Vamos extermina-lo então?


— Também não. Temos é que descobrir a fórmula daquela guloseima que ele usa pra atrair os ratos. O grande chefe está louquinho pra comer desse alimento até se fartar.


Bom, é melhor voltarmos para o avião e ver como andam as buscas aéreas, nossos aviões invisíveis têm sobrevoado os céus desse lugar diariamente pra ver se descobrem alguma coisa.


Enquanto isso no porão de uma das igrejas do centro histórico da cidade um grupo, grande por sinal, de ratos de toda região se reúne para traçar estratégias de combate ao nosso herói. A agitação era enorme, a multidão estava descontrolada e a discussão rolava há horas.


— fit, fit, fit, fit, fit, fit, fit, fit, fit, fit, fit, fit, fit, fit, fit, fit, fit, fit, fit, fit, fit, fit, fit, fit, fit, fit, fit, fit, fit, fit, fit, fit, fit, fit, fit, fit, fit, fit, fit, fit, fit, fit, fit, fit, fit.
(Informação importante: nosso tradutor da língua dos ratos não estava presente em nossa redação no momento da digitação do texto).

TRÁFICO DE SEMENTES?

Ainda amanhecia o dia em Vila Boa quando os moradores da cidade ouviam o noticiário da rádio am local: “Polícia americana suspeita que pastor brasileiro esteja transportando ilegalmente para aquele país objetos não permitidos, como alimentos, curiosamente bolo de arroz e estranhamente recebe como pagamento sementes de diversas árvores nativas da América. A suspeita ocorreu devido o mesmo ter sido flagrado com um frasco de pasta de amendoim em sua bagagem na viagem de retorno ao Brasil recentemente. O agente naquele momento apenas retirou o frasco da mala do pastor e o liberou para viagem. Ocorre que quando funcionários do aeroporto foram fazer a limpeza descobriram sementes de “dolárisverdis” impregnadas no frasco retirado da mala do suspeito.

Após identificar o passageiro que viajou de volta para o Brasil, a CIA pediu a ajuda da polícia federal brasileira para investigar o caso. O mais curioso é que o suposto terrorista, segundo informações que vazaram da PF, mora aqui na em nossa cidade”.

Bom, a curiosidade dos vilaboenses pra descobrir quem seria esse pastor suspeito de tráfico e ainda de terrorismo foi muito grande e o assunto correu de boca a boca até chegar na casa de um tal Mundim, velho conhecido nosso. É, pode crer, “O caçador de ratos”.


O que ninguém sabe é que ele viajou para os Estados Unidos recentemente a convite de emissários seus que já há algum tempo se encontram naquele país em missão secreta investigando seus maiores inimigos, os ratos.
Marlônio e Yárica, depois de meses de intenso trabalho investigatório, descobriram uma organização “rática” conhecida como “Raimond’s Enemy” em Orlando na Flórida, num lugar subterrâneo na Disney. A princípio até pensaram que o cabeça poderia ser Mickey Mouse ou mesmo Stuart Little (se fosse na Hanna Barbera seria o Jerry).


Daí podemos entender por que nosso herói estaria levando em sua bagagem bolo de arroz. Como sabemos, a guloseima tornou-se arma fatal contra as ratazanas. Será que os camundongos americanos também são atraídos pelo aroma desse alimento? Bom, isso só saberemos em um próximo episódio.

E as tais sementes recebidas como pagamento? Isso não passa de um equívoco das autoridades americanas, visto que nosso herói apenas tem um hobby que é carregar sementes de uma localidade para outra. O que ele não sabia era que isso não é permitido, ainda mais tratando-se de “dolárisverdis”. Apesar de sabermos que essa preocupação é inútil, já que o fruto dessa planta só da em terreno americano.