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quarta-feira, 23 de dezembro de 2015
ZÉ, O AZARADO?
quarta-feira, dezembro 23, 2015
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2 comentários
O cara não era bem visto nem
bem quisto na cidade onde morou a vida toda, desde criança, ainda mesmo quando
tava no ventre da mãe dele.
A questão é que o ser humano
é preconceituoso na sua maioria, poucos não guardam preconceito.
Seu pai o Joalson largou da
Mariângela para se casar com Alcinda, sim a Alcindinha. Chamavam-na Dinha
porque Cindinha, diziam, não era legal. Na verdade Alcinda não era.
Mariângela inconformada com
o abandono de Joalson, resolveu amaldiçoa-lo, tamanha era sua contrariedade.
Isso pelo menos é o que rola
na boca do povo da cidade.
Amaldiçoou o pai e a praga
pegou no Zé.
Quando a criança nasceu,
enquanto todo bebê recém nascido ganha muitos elogios, como, “menino lindo,
puxou o pai”, “nossa que criança mais bonita, parece com a mãe”.
Ele porém, não, claro. Sua
tia ao vê-lo ainda no hospital disse, “tem cara de joelho”.
Muitos que foram visitar a
mãe na maternidade fizeram careta, torceram os olhos e não disseram palavra,
mas dona Dinha percebeu os olhares.
Os mais abusados, amigos do
pai disseram “Que Zé é esse Joalson”?
Não que ele fosse feio,
muito pelo contrário, era uma criança bonita.
Quando foi crescendo e
passeava com sua mãe, as pessoas chegavam a atravessar a rua para não cruzar
com o menino.
Ficou na escola, estudou e
se formou apesar do bullyng que sofreu durante toda vida acadêmica.
Verdade é que o bullyng o
acompanhou a vida inteira, pelo menos até o dia que tudo mudou.
Ainda na escola tinha que se
assentar num canto da sala e as outras crianças ficavam do lado oposto e até a
mesa da professora ficava doutro lado.
Os empregos que conseguia,
era onde trabalhava sozinho. Foi até vigia noturno(vigilante) numa agência
bancária. Lá ficou por muitos anos pois ladrão não entrava.
Uma vez uma quadrilha
especializada em assalto a bancos planejou um assalto na agência onde Zé
trabalhava, passaram meses se preparando, parecia até filme.
Um dia os caras aparecem na
delegacia e se entregaram ao delegado e contaram tudo que pretendiam fazer, mas
desistiram ao saber que o rapaz era vigilante no local.
Só saiu desse emprego quando
entrou um gerente novo e resolveu transferi-lo para o turno do dia, nenhum
cliente entrava mais no banco.
Certa ocasião foi guarda de
trânsito, mas logo demitido porque até os carros se desviavam, cortando caminho
em outras ruas, motos passavam sobre as calçadas e bicicletas entravam na
contramão (se bem que isso acontece de qualquer forma).
Pra que um guarda de
trânsito que mais causa acidentes do que os evita?
De garçom e balconista não
adiantava nem tentar, porque os estabelecimentos ficavam às moscas.
Você deve estar se perguntando
como era a vida amorosa do Zé, não é mesmo?
Que vida amorosa? O cara tem
trinta anos e nunca teve uma mulher, não sabe nem o que é beijar, abraçar...
nem ao menos conversar com uma.
Sua mãe foi a única que o
abraçou e conversou com ele.
Não me pergunte pela irmã, o
cara é filho único.
Dizem que mulher gosta de
cara educado, romântico, que nada, com ele nunca funcionou.
Escreveu um lindo poema pra
sua vizinha quando tinha 16 anos, abria a porta da sala de aula pra ela no
colégio, dizia bom dia, boa tarde, falava que ela era bonita, mas nunca
funcionou.
Ele só conhece a cor da voz
dela, porque ela conversava com outras pessoas.
Aos vinte poucos anos ouviu
falar que elas gostavam de caras bombados, fortes.
Foi para a academia, se bem
que o dono não queria aceita-lo. Só ficou porque ameaçou reclamar de seus
direitos na justiça.
Se bem que ele não ganharia,
com toda certeza.
Não ficou lá muito tempo,
quando percebeu que mesmo com aquele corpo atlético não atraía as garotas.
Comprou carro, moto, mas nem
assim conseguiu a atenção de uma mulher.
Até nas redes sociais não teve
sucesso, parece que sua foto transmitia energias negativas.
Nem tinha WhatsApp, pois ninguém
o adicionava, no Facebook, não tinha amigos, nem amigas, muito menos.
Na verdade nem sei como ele
conseguiu abrir uma conta na internet, pois sempre foi rejeitado.
Certa vez, viu uma
propaganda de uma mulher de borracha num site e resolveu comprar.
Tava meio constrangido com
aquilo, não era o que ele queria, claro.
Queria sim uma namorada, uma
mulher, uma companheira pra viverem juntos e construir uma história.
Mas acredite nem essa mulher
chegou. O carteiro deve ter evitado o contato com ele e o produto voltou pra
São Paulo. Caramba, que vida.
Isso o motivou a mudar de
cidade, mas tudo era igual, ninguém dava atenção pra ele, todos o rejeitavam,
nem emprego conseguiu dessa vez.
Voltou pra sua cidade natal
e era um cara solitário na vida, morava sozinho, estava desempregado, sem
perspectiva nenhuma.
Saiu de casa numa manhã
decidido a não voltar, caminhou horas, atravessou a cidade e foi parar num lago
que não conhecia.
Foi andando pela orla,
pensando no que fazer da vida, cansado que estava daqueles trinta anos de
desprezo, se distraiu, escorregou numa pedra enlodada e caiu dentro daquelas águas.
Você
conhecendo a vida azarada do Zé, deve estar pensando que morreu afogado, ou que
a água era barrenta e poluída.
Nada
disso, o lugar era lindo e tinha uma água tão cristalina que se podia ver o
fundo.
Não!
Não apareceu ninguém pra brigar com ele por ter caído naquele paraíso aquático,
também não veio pessoa alguma a salvá-lo.
Nem sereia de água doce ou Iara.
Azarado
sim, mas não o subestime, sabia nadar, e nadava muito bem, só não virou atleta por
que... Ah! Você já conhece a fama do rapaz.
Nadou
um pouco, admirou aquele lugar e estranhamente se sentiu feliz, como nunca em
sua vida.
Saiu
e resolveu voltar pra cidade e para surpresa de Zé, as pessoas que encontrava
na rua, homens, jovens, crianças, sorriam pra ele. Alguns até o chamavam pelo
verdadeiro nome, Joaldo.
O
mais curioso e impressionante e para seu delírio, as mulheres o beijavam,
muitas até saiam de dentro de casa, ou de onde estivessem para beijá-lo
Até
o trânsito ficou congestionado porque as mulheres paravam seus carros e motos e
pulavam enlouquecidas sobre o moço e o beijavam, teve até as mais atiradas que
lhe tascavam beijos cinematográficos.
A polícia
foi chamada para conter aquela mulherada e dessa vez nada fizeram contra
Joaldo, sim, agora Joaldo.
A
policial desceu do carro, tinha cara de brava, toda fardada, deu tiro pra cima,
espalhou as mulheres e quando viu Joaldo, não se conteve, se atirou sobre ele e
o beijou longamente.
Agora
eu te pergunto, a sorte dele mudou ou era apenas um sonho?
sábado, 13 de julho de 2013
RECOMEÇO
sábado, julho 13, 2013
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sem comentário
Max,
40 anos, solteiro desceu apressado do coletivo no terminal, estava atrasado
para um importante compromisso naquela manhã em Goiânia. Passou pela catraca, descendo
a rampa de saída em direção a faixa de pedestres na avenida ao lado.
Estava
movimentada aquela rua, o fluxo de veículos era enorme. A correria de sempre
que já se tornou normal para quem vive na capital.
Quando
estava próximo da faixa percebeu que uma jovem mulher invadira a pista sem
perceber que se aproximava um ônibus. Na certa seria atropelada e morta, pois,
pela velocidade da lotação o impacto seria fatal.
Instintivamente
estendeu a mão e a puxou pelo braço. Numa fração de segundos conseguiu salvar a
moça livrando-a da morte.
Assustada
abraçou-o e começou a chorar desesperadamente. Ele a confortava passando a mão
em sua cabeça bem devagar e dizendo para ter calma, pois o pior tinha passado e
ela havia se salvado.
Max
perguntou-lhe se queria que chamasse o Samu ou alguém da família, mas entre
soluços, Roberta, esse era seu nome, disse que não precisava de atendimento
médico e que seus parentes moravam no interior.
Ele
insistiu em ligar para alguém, uma amiga, quem sabe, preocupado que estava com
o descontrole emocional dela. Diante de mais uma negativa da jovem, levou-a
para um bar do outro lado da rua para dar-lhe algo de beber, talvez água com açúcar.
Assentados
à mesa, ela agora mais calma começa a contar-lhe sua vida. Disse-lhe que não
foi um acidente, mas que tinha vindo para a capital com a intenção de se matar e
a melhor maneira que encontrara era se jogar na frente daquele ônibus.
Mas
estava aliviada de não ter concretizado tal plano e grata por ele tê-la salvo.
Aos
quinze anos ela conheceu um cara de vinte e se apaixonou ao ponto de enfrentar os
pais que não queriam aquele relacionamento e fugiu com ele para outra cidade
onde foram morar juntos.
Depois
de tudo que ela enfrentou para viver com ele, aqueles anos todos brigada com a família,
o cara a expulsou de casa para viver com outra sob a alegação de que não gostava
mais dela.
Desesperada,
longe dos pais e familiares, se viu sem rumo, sem direção. Tendo vivido todo aquele tempo dedicada ao
marido, quase que isolada do mundo, não teve filhos, nem fizera qualquer
amizade.
Enquanto
ela falava, ele a observava. Apesar do rosto vermelho e os olhos inchados de
tanto chorar, lhe pareceu uma mulher bonita, atraente e bem jovem.
Depois
de um longo tempo ela já estava mais tranquila e ele tinha lhe convencido de
que o melhor era permanecer vivendo, reconciliar com a família e recomeçar.
Roberta
concordou de acompanhá-lo em seus compromissos. Verdade é que Max estava
encantado com aquela mulher.
Ele
estava tão impressionado com ela que ao atravessar a rua se distraiu e foi
atropelado por um caminhão.
Roberta
começou a gritar desesperadamente e imediatamente formou-se um tumulto em volta
do corpo estendido no meio da rua. Um carro de polícia que passava próximo ao
local se aproximou e acionou o socorro médico. Alguém se abaixou ao lado de Max
querendo ajudar e disse, “o cara morreu”.
Brincadeirinha.
Na
verdade eles nem atravessaram a rua, saíram caminhando pela calçada, agora a
moça já sorria das brincadeiras de Max e logo estavam de mãos dadas. Mais adiante
se abraçaram e seguiram caminho.
Parece
que ali começava uma nova história para Roberta. Seu recomeço.
*** imagens da internet
*** imagens da internet
quarta-feira, 3 de julho de 2013
A MANIFESTAÇÃO
quarta-feira, julho 03, 2013
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sem comentário
Um
rapaz chamado Dilon se apaixonou por Zulmira sua colega de sala quando ainda
cursava o Ensino Médio.
Zulmira
era uma moça muito bonita e educada, de bom comportamento, estudiosa e de pouca
conversa. Apesar de sempre sorridente não costumava dar muito assunto aos
garotos.
Ele
muitas vezes servia de chacota para os colegas, pois sempre no mundo da lua na
sala de aula, com certeza imaginando histórias românticas ao lado da moça, não
percebia quando a professora lhe perguntava alguma coisa e acabava ganhando uma
bronca da mestra.
Ele
sempre muito tímido nunca teve coragem de se manifestar para a moça, nem ao
menos se aproximara dela, mas a observava de longe.
Algumas
vezes quis acompanhá-la no recreio ou no caminho de volta para casa no final da
aula, mas sempre tinha alguém por perto e ficava com vergonha, com medo de dar
alguma mancada ou da menina não lhe dar atenção.
Eles
se formaram, o tempo passou, mas Dilon nunca deixou de gostar de Zulmira. Ela
nem ninguém ficou sabendo de sua paixão, mas verdade é que ele nunca conseguiu
esquecê-la, pelo contrário, estava cada dia mais apaixonado.
Moravam
na mesma cidade e um certo dia ela foi trabalhar na mesma empresa que ele.
Ficou feliz em revê-lo e para sua surpresa até lhe deu o número do celular.
Às
vezes parecia que ela estava olhando diferente para ele, fez até um teste,
olhando de repente para ela, e a impressão é que estava sendo observado.
Mas não quis acreditar pensando que era coisa de sua cabeça.
Também
não tinha coragem de lhe escrever um bilhete, mandar um torpedo no celular nem
ao menos um e-mail se declarando. Era muito tímido para isso. E a vergonha que ficava
só de imaginar tal coisa?
Ela
acabou por pedir demissão para ajudar a mãe a cuidar do pai que adoecera
gravemente.
Depois
de algum tempo Dilon resolveu deixar a timidez de lado e a vergonha que lhe
oprimia, arrumou uma cartolina, escreveu “I love you” e partiu em direção a
casa da garota.
Era
dia ainda, mas ele não se envergonhou com as pessoas na rua. Ora levantava o
cartaz bem alto, ora colocava na altura do peito.
Com essa onda de manifestações pelo país, começou a ser seguido por um aqui, outro ali até que centenas de pessoas com cartazes e faixas o seguiam pelo caminho sem nem ao menos saber qual eram seus motivos.
Quando
chegou à porta da casa de Zulmira já estava anoitecendo e estava tudo fechado.
Ele
começou a gritar “Zulmira, eu te amo”, “Zulmira, eu te amo” e parecia nem
perceber que tanta gente estava ali, e o pior, eles gritavam junto dizendo,
“Zulmira, ele te ama, sai pra fora”.
Apareceu
até uns violeiros e começaram a cantar músicas românticas. Uma linda serenata
com todo mundo cantando junto, mas ela não apareceu.
Quem
acabou por aparecer foi a polícia. Os policiais desceram da viatura e até cantaram.
Teve alguém que pediu pra eles buscarem a moça lá dentro, mas acabaram indo
embora.
Foi
ficando tarde e como nada acontecia a multidão começou a dispersar e todo mundo
foi embora, menos Dilon que acabou dormindo na calçada em frente a casa.
Foi
despertado de manhã com um barulho, era um corretor pregando uma placa de
vende-se na parede da casa.
Foi
quando o jovem ficou sabendo que Zulmira havia se mudado pra outra cidade há
três dias com os pais e colocado a casa a venda.












