Sejam Bem Vindos

Espero que curtam e acompanhem meus posts. Conto com a participação de vocês com comentários, sugestões e até mesmo críticas, desde que construtivas.

O Cego de Jericó

Com certeza Bartimeu saiu de casa aquele dia para mais um dia de rotina. Vs. 46 – Sentado à beira do caminho (solitário) - Jesus era seguido de seus discípulos e grande multidão, ele poderia pensar: “será que ele me notará, fará alguma coisa por mim?”

O Vulto da Mulher da Foice

Diz a lenda que em uma pequena cidade do interior, um vulto de uma mulher vestida de negro e com uma foice em punho era vista em pontos diferentes do lugarejo altas horas da noite por muitas vezes.

Seus Olhos

Seus olhos me olham profundamente, Num brilho que reflete em minha alma, Lá no fundo eles me dizem o que seu coração espera,

É Verdade Amor

É verdade amor Não tem mais como esconder O que sinto por você. Relutei, não queria aceitar Pensava: Ela é minha amiga, não posso me apaixonar

Mostrando postagens com marcador cidade de Goiás. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cidade de Goiás. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 25 de julho de 2023

CIDADE DE GOIÁS, TERRA DE AMOR E PAZ


 

Cidade de Goiás de ruas e ruelas, Igrejas e Capelas, Centro histórico e João Francisco, 

Goiás 2, Rio Vermelho, Tempo Novo e Papirus, Vila Lyons, Santa Bárbara, Saída pra Jussara e Aeroporto, Bacalhau, Sota, Cachoeira das Andorinhas. 

Goiás Velho de tantas ruas e monumentos, no seu dia, de parabéns estão as pessoas, seus moradores, vilaboenses ou não, que fazem toda essa paisagem ter sentido, ter valor.

Cidade de Goiás, terra de amor e paz!


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

CHAMADA ERRADA




Pelo telefone uma voz me dizia:
Estou quase morrendo de saudades de você.


Eu do outro lado sem compreender perguntei:
Quem é você?                                    



Ela então diz: Sei que minha voz está estranha por causa do choro,
Mas não posso acreditar que me esqueceu, meu amor.

Continuava sem entender e aquela voz não reconhecer,
Quem será essa pessoa que chora desesperada implorando
Minha atenção?

Faz algum tempo que não tenho namorada,
nem aventura, muito menos uma ficada,
Então lhe perguntei: quem é você afinal
Que chora inconformada a implorar o meu amor?

Agora eu só ouvia o som de choro,
Pelo jeito muitas lágrimas.
Após muitos soluços e minutos de silêncio,
Ela então se manifestou, e meio embasbacada
Assim me questionou: não consigo entender,
Nem ao menos aceitar que meu amor por você
Nada significou Elano.

Meu nome não é Elano,
Foi aí que percebi que aquela ligação
Era uma chamada errada e que
tudo não passara de um tremendo engano.

Alívio.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

PAI





Pai, quando eu estava sozinho em meu quarto à noite e sentia medo, me lembrava de você e dormia tranquilo. Sabia que me protegeria.


Quando na escola as coisas não estavam indo bem, me lembrava de suas palavras, “você pode meu filho, você consegue”, e então tudo ficava mais fácil, e tirava boas notas.


Quando você estava viajando a trabalho, e ficava vários dias, e as lutas do dia a dia me pressionavam, lembrava dos momentos em que você me segurava nos braços e sentia seguro.


No meu primeiro trabalho, era inexperiente, um aprendiz e algumas tarefas eram extremamente difíceis e pesadas que eu achava que não conseguiria e até pensei em desistir. Mas ouvia sua voz me contando suas experiências profissionais na juventude e como tinha se saído bem, então eu prosseguia até que as tarefas se tornavam simples e corriqueiras.


E quando tive a primeira namorada, o primeiro beijo, os momentos bons. Descobri que estava amando. Você então me ensinou como eu deveria me portar. Ser um cavalheiro, educado, carinhoso. E era justamente como você tratava minha mãe.


Aprendi com você que deveria ser honesto, responsável, bom pai de família. Que se deve pagar o mal com bem e que nem tudo são flores na vida, mas muitas vezes encontramos espinhos e pedras pelo caminho e precisamos ter cuidado.


Aprendi também que devemos manter o bom humor sempre, mesmo quando tudo estiver complicado e difícil. E acima de tudo, conheci Deus através de você e sei que ele é Pai amoroso que está sempre conosco não importando a situação.


E você pai sempre foi um modelo do Pai celestial.

Obrigado!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

A MENINA ATAREFADA


Esta é a história da menina atarefada. Ela, a menina, desde criancinha sempre vivia atarefada com alguma coisa. Sempre cheia de energia nunca foi de ficar parada, exceto quanto seus pensamentos, sua imaginação entrava em ação.
Morava em uma cidade do interior, histórica por sinal, de ruas tortuosas, morros e vielas.

Certo dia ela estava brincando de bonecas e achou que estava sem graça a brincadeira, sem ação, sem adrenalina. Olhou para o canto de seu quarto e próximo à janela estava aquele velho par de patins de rodinhas que sua mãe já a havia proibido de usar desde sua última investida com o tal. Nem te conto o que ela causou por não saber se controlar sobre aquelas rodinhas. 

Bom, o pior, é que naquele instante, olhando para os patins foi como se acendesse uma luz sobre sua cabecinha futuramente ruiva, depois te conto. Levantou-se, largou as bonecas e foi aos patins, já maquinando o que faria. Calçou os patins, pulou a janela e já foi caindo na calçada sem ter tempo de segurar em alguma coisa. Como a rua de sua casa é numa ladeira os patins dispararam numa velocidade incontrolável, ainda mais para ela que nunca se deu bem com eles. 

Esbarrou num vendedor de bolo de arroz que passava esparramando a guloseima pra todo lado. Um ciclista que inventara de pedalar sobre a calçada foi lançado de quatro no meio da rua. Esqueci de dizer que mais abaixo na mesma rua tinha um hospital e quando ela se aproximava um acidentado estava sendo retirado da ambulância e colocado na maca. O doente estava consciente e quando deitava-se na maca olhou e viu aquela menininha descendo como foguete em sua direção e foi o tempo do enfermeiro empurrar a maca e ela passar, meio que descontrolada passou pela rua e foi parar na ponte sobre o rio da cidade. 

Não fosse a alça do suspensório da jardineira que ela usava, teria despencado lá de cima nas “límpidas” águas daquele rio. O resto da dessa história, nem te conto. Não há tempo para isso, visto que me lembrei de quando ela, a menina atarefada estava assistindo televisão e viu uma mulher de cabelo vermelho em um desenho, ou será que era o Pica-pau? Bom, não importa. O que importa é que ela a partir de então resolveu que queria mudar a cor de seus cacheados cabelos. Não sabia como faze-lo e passava seus dias pensando nisso. 

Um dia quando todo mundo tinha saído, ela reparou no vidro de groselha no armário da cozinha, vermelho, vermelho. Você já sabe o que ela fez, pelo menos imagina? Besuntou seus cabelos de groselha e nada de ficar vermelho. O que ela conseguiu foi ser perseguida por todos os mosquitos da região. Outra vez experimentou extrato de tomate e os mosquitos voltaram. Um dia pegou um vidro de xadrez vermelho que era usado pela mãe pra passar no piso da casa. Colocou os óculos escuros de sua tia e começou a passar o produto no cabelo com a escova de barbear de seu pai. Ai, ai, ai, quando a mãe dela descobriu essa arte, hum. 

Foi preciso lavar os cabelos muitas vezes com xampu e condicionador. E seus cabelos continuavam castanhos.
Bom, o tempo passou e a menina ficou cada vez mais atarefada. Atualmente ela já de cabelos vermelhos, pois descobriu que bastava procurar uma boa cabeleireira pra fazer a transformação. Quando se olhou no espelho e viu suas mechas abriu um grande e lindo sorriso. Era como se dissesse: “Yes!”
Seu espírito era mesmo de ruiva.

Agora, crescidinha ela tinha tarefas a executar em casa. Todos os dias era aquela história de bater a poeira dos móveis, arrumar as camas, varrer cômodo por cômodo, recolher o lixo, passar pano e muitas vezes era necessário encerar. Sem contar lavar os quatro banheiros, lavar as vasilhas do jantar e ainda preparar o almoço. Duas vezes por semana tinha que lavar e passar as roupas da casa.

A menina atarefada andava meio cansada dessa rotina e então um dia conversando com uma amiga descobriu que existia um tal de computador e uma tal de internet. Ainda mais, sua amiga lhe disse que na internet ela encontrava de tudo. Enquanto sua amiga falava sua imaginação, fértil que era começou a pensar na possibilidade de encontrar um meio de fazer um clone seu pra fazer suas obrigações diárias enquanto ela ficava a toa de pernas pro ar. Quando tudo estava arrumadinho, sua amiga tasca-lhe um beliscão e diz: “Acorda menina. Me deixando aqui falando sozinha enquanto você pela ‘quinquionésima’ vez viaja em suas histórias”.

Bom, apesar de sua amiga ter saído chateada, ela nem se importou, correu até uma loja de informática e comprou um computador e encomendou a instalação de internet, banda larga claro, pois ela era muito espaçosa, ihhhhh!
Bom, a intenção era de descobrir um meio de cuidar de suas tarefas caseiras sem ter que mover uma palha.

Assim que tudo estava instalado em sua casa, sua vida virtual começou. A questão é que logo descobriu um tal de msn e foi adicionando contatos e mais contatos que quase não tinha tempo pra mais nada a não ser conversar no msn. Ela gosta tanto de vermelho que ao invés de uma foto sua no perfil do messenger, colocou uma foto do pôr-do-sol, bem vermelho.

Um dia, em suas pesquisas, apareceu a foto de um homem na lua e então ela começou a imaginar-se andando sobre nosso satélite natural. Onde ela na verdade passava a maior parte de seu tempo, no mundo da lua. Além de encontrar o astronauta americano e perguntar a ele porque a bandeira dos Estados Unidos e não a do Brasil ele estava fincando em solo lunar. Encontrou também São Jorge e perguntou pra ele como ela poderia se livrar de suas tarefas diárias, e quando ele ia responder, ela ouviu o sonsinho do msn chamando. 

Era um contato seu, um tal de menino momentaneamente parado, é que o cara estava desempregado. Em sua conversa com ele, digitava uma frase, corria dava uma varridinha no quarto, digitava outra frase até que veio a idéia de arrumar um robô pra fazer seu serviço. Ela mesmo se lembrou do desenho dos Jetsons, onde eles tinham uma robô doméstica que cuidava das tarefas da casa e ainda não recebia salários pra isso. Surgiu então a idéia de seqüestrar Rosie, a robô do Jetsons, mas não seria fácil, pois o cão Astor estava sempre atento vigiando a casa.

Era hora de colocar a cabeça em ação pra bolar um plano que fosse perfeito. O grande problema é que ela vivia num mundo quase real e a robô era um mero desenho animado. Além do mais suas tarefas não eram virtuais e estavam lá pra serem executadas todos os dias.

Ficou imaginando a poeira, o lixo e toda sujeira da casa se acumulando e então resolveu que o seqüestro teria que acontecer o mais rápido possível.
Como essas coisas não podem ser feitas sozinha, pois tem sempre que ter um cúmplice, então chamou o menino momentaneamente parado pra lhe ajudar.

Sabia ela que a melhor maneira de bolar um plano era dormindo. Lembrou-se que sempre quando fazia suas maiores estripulias havia sonhado com alguma coisa na noite anterior. Uma vez fez até uma viagem para a Amazônia e só não foi executada por uma tribo indígena porque sua mãe a acordou pra ir pra escola. Ufa! Que alivio. Como já era noite, foi dormir. A ansiedade era tanta que nem desligou o pc, não escovou os dentes, nem mesmo deu comida pro papagaio (dormiu com fome o coitadinho). 

Não conseguia pegar no sono, pois ficava pensando na Rosie limpando sua casa todos os dias e sorria sozinha iluminada pela luz do abajur cor de rosa em sua cabeceira. Bem que ela queria um vermelho, mas sua mãe não gostou nem um pouquinho da idéia. Será porque, ah, deixa pra lá.
Dormiu, e dessa vez a menina atarefada nem parecia ela mesma. Estava quietinha na cama, nem mesmo as muriçocas a atormentava. Se fosse numa noite normal, teria rolado, remexido, batido nos pernilongos.

Mas aquela noite era especial. Enfim, sonhou.
Ela e seu comparsa estavam vestidos de palhaços com cabeleiras vermelhas, macacões azuis e voavam dentro de uma canoa, foram parar no espaço e viram muitas e muitas estrelas passarem, sobrevoaram cidades, cruzaram com banheiras, cadeiras, panelas, vassouras e tanquinhos voadores, coisa mais estranha. Tinha até um papagaio que mais parecia uma arara vermelha pedindo comida o tempo todo. O som da canoa voadora deles era um misto de ronco com o zoado de muriçocas. Tinha até um sol vermelho no cenário que se montava no decorrer do sonho. Barulho de msn, e sons variados, normais de computadores tilintavam pelos ares.
 
Em determinado momento eles chegaram numa cidade onde as casas mais pareciam aqueles porta bolos de confeitaria, redondas com uma tampa transparente. Quando viram estavam próximos da casa dos Jetsons e Rosie estava em sua cama dormindo. Uai, robôs dormem. Bom, nessa história aqui sim. Estacionaram a canoa foguete sobre o telhado de uma casa ao lado e amarraram a boca do papagaio com fita adesiva, vermelha, pois o famigerado não cessava de pedir comida. “Curupaco, loro, quero comida. Curupaco-papaco, quero comida, loro.” Era melhor que ele falasse “quero comida, ruiva”.
 
Cada um tinha um ventilador de teto preso em suas roupas ligado a um gancho, como se fossem chapéus.
Ela, levava em suas mãos um pacote de sorvete de cereja pra alimentar Astor que já estava atendo quase latindo. No momento que eles adentraram a área da casa ele abriu a boca pra latir e ela enfiou todo aquele sorvete goela abaixo do cãozinho que se calou imediatamente.
 
Já no quarto da robô, eles pegaram um saco de linhagem, sempre vermelho pra coloca-la. E o fizeram com tanta facilidade, que só em sonho. Na verdade, a menina atarefada disse pra Rosie se levantar e entrar no saco e foi isso. A menina estava irradiante com tudo isso. Estava conseguindo executar seu plano de forma irrepreensível. Podia-se notar uma alegria enorme em seu semblante. Em seus pensamentos ela dizia: “Oba, não vou mais ter que fazer todas aquelas tarefas caseiras, agora tenho uma robô domestica, viva, viva. Sou mesmo uma ruivinha de verdade.”
 
Agora, diferente da facilidade pra colocar Rosie no saco, foi a dificuldade para os dois carregarem-na até a canoa. Uma coisa é certa, não faziam nenhum ruído ou então a família Jetsons tinha o sono pesado.

Tudo bem, apesar de ter que carregar a pesada robô, num instante estavam sobre a canoa, ela, a menina atarefada, contentíssima. Ela que muitas vezes questionava essa questão de felicidade. Agora sim, se sentia feliz. Na verdade nunca esteve tão feliz.
Naquele instante soava estridentemente uma sirene, o som era altíssimo...
Foi quando ela acordou. Era seu celular que tocava. Chamada do SAMU, avisando que seu plantão havia sido alterado.


Essa é uma obra de ficção e qualquer semelhança com a vida real não terá sido mera coincidência.

FIM

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

UM REINO DISTANTE


Um reino distante


Era uma vez, um reino distante, num lugar chamado Good Village, uma cidade pacata, corriqueira como as outras, pessoas se movimentando em suas atividades diárias. O padeiro bem de madrugada já está quase terminando de assar os pães para que sejam entregues bem quentinhos para o café da manhã, pois o pai de família tem que sair cedo para o trabalho, as crianças para a escola e a mãe tem tarefas e muitas para todo o seu dia. O armazém abre lá pelas sete da manhã e muita gente vem para comprar, da mesma forma o açougue, a frutaria... enfim.
A sirene do colégio local já tocou avisando que daqui a pouco é hora de ir para a sala de aula pra receber as informações da professora que passou a noite toda(será?) preparando seu plano de aula com todo carinho (hein?) pra na mente de seus alunos o conteúdo inculcar.
Os garis limpam as ruas, os operários cuidam de suas tarefas na fábrica, o barbeiro já está na porta da barbearia esperando seu primeiro cliente (vítima) e assim consecutivamente em todas as ruas, setores da cidade o movimento é grande e a correria cotidiana continua, o dia vem e vai, o sol nasce e logo se põe.
Existe neste lugarejo uma emissora de rádio que tem uma programação diversificada. Tem programas religiosos logo cedo, sertanejo e tem também informação, notícia e até site para alcançar gente muito longe dali pela tal de internet.
Curioso que o diretor é um “Machado”,e dizem bem afiado, a secretária do turno matutino é a “Chavinha” bem fininha, tem até o vice-prefeito trabalhando lá, um tal de “Kendy”, tem até gabinete, tem um de boa voz(quando fala todo lugar estremece, parece ameaça de chuva, o povo pergunta: “é trovão?”), a melhor da emissora, mas parece que vive doente, pelo menos seu nome é “Landico Das Dores”(recentemente descobriu que tem pedras na vesícula), tem um que não precisa de microfone pra falar pra toda a cidade e região, é o “Toco Roger”, ele é tão estranho que quando se machuca usa fita isolante ao invés de esparadrapo, a tarde tem outra secretária uma tal de “Lora”, sim a “Lora do Kassim”, claro, gente boa(ta até fazendo academia pra ficar em forma pro maridão). Tem também a locutora do “Bom dia Cidade”, “Coração pra Coração”, uma tal de “Sandra Botafogo”, ou será Vasco, Fluminense, Corinthians, Operário, Vila Nova, bom sei lá depende da colocação do time no campeonato, todo dia, com ela é um tal de “alô voxê”, “douze trinta e três”, “Rua Travessa Avenida, Viela, praça sei lá das quantas”, não sei como ainda está inteira, pois todo dia são muitos os torpedos enviados em direção a ela pela internet.
Tem também um que nunca recebe o pagamento integral, pois vive pedindo vale que até o chamam de “Campeão do Vale”, ele vive pedindo a direção pra comprar um transmissor automático, é, daqueles que liga e desliga sozinho, será porque hein? Tem um office boy, é, o menino dos recados que a qualquer hora entra dentro do computador e não sai mais, se alguém quiser falar com ele vai ter que acessar o messenger ou bate papo uol, é um tal de “Iagolin”, e pra fechar tem um tal de “Fashion”, cabelo batido (no liquidificador), cheio de gell, creme, brilhantina, gordura vegetal, sei lá o que, metido o cara “véio”, é um tal de “legal”, “na boa”, zoador o cara eh, só não ganha do Chefe que é outro curtidor.
Tem ainda, antes de fechar, um sapo que vai lá quase todos os dias filar café, e conversar abobrinha, é um tal de “Rilex Scorpion Jr”, o maior perdedor de celular da cidade e olha lá que é da região. Já teve celular de tudo quanto é modelo e operadora, é vivo, tim, oi, pula pula, é por isso que perde todos claro, né? É pós pago, pré pago, dizem que por isso vive inadimplente.
O lema, slogan, da tal emissora de rádio é: “Falando baixo pro centro e cochichando pros bairro, quase calando”.
Acesse o site, olha se pronuncia “ssaite”, e “adispois” vem “cunhecê nóis” e “visita” a nossa “rádia”.
O tal Fashion é um cara solitário, mora sozinho, e a noite quando vai dormir, devido o forte calor do local sofre com o ataque das muriçocas.
Se cobre o corpo com o lençol assa de tanto calor, se destampa é bombardeado pelas inimigas famintas, se liga o ventilador para espantá-las, o nariz entope por causa da tal rinite, aí não consegue dormir direito, luz acesa nem pensar, o negócio é lutar para poder dormir.
Enquanto não dorme ele pensa na Nety. Ela é um contato virtual dele, menina bonita, sorridente, ta sempre interagindo com ele no messenger.
Ela por sua vez, segundo costuma dizer, passa as noites em claro (isso até dormir, evidente) pensa nele, em estar com ele, coisas assim.
Um dia ela já estava deitada tentando dormir, se lembrou que ele disse a ela que era atacado por muriçocas à noite, e o seu desejo era tanto de estar com ele que começou a sentir o desejo de ser uma daquelas muriçocas que o assediavam. Enquanto pensava, dormiu e sonhou. Nesse sonho ela se transformava em muriçoca e voava, atravessando a cidade em direção à casa dele, teve que, no caminho, se livrar de sapos e lagartixas que tentavam de tudo fazê-la seu alimento e com muito custo chegou até o local, como era apenas um insetinho, não foi preciso bater na porta, ou tocar a campainha, nem mesmo gritar: “oh Fashiooooooooonnnnnn”, ou mesmo telefonar avisando que iria. Entrou por uma fresta na porta e da sala foi procurá-lo, passou pela cozinha, copa, banheiro, até encontrá-lo em seu quarto, dormindo. Curiosamente naquela noite as muriçocas não estavam por ali, coisas que só acontecem nos sonhos (enquanto digito estou sendo atacado por elas, podia ser você), ela começou a voar sobre ele, e a tocá-lo, nos braços, pernas, cabelo, até que chegou na boca, e ao tocá-la (a boca), se transformou novamente em gente e quando começou a beijá-lo, ele ainda meio sonolento e surpreso, sorriu e quando iam se abraçar, ela acordou por causa de uma muriçoca que a importunava e viu que era apenas um sonho, fazer o que? Tocou a muriçoca, virou para o outro lado e dormiu.
Bom se fosse verdade. Bom sonho, melhor, bom dia!


(Escrito por Heron José em dezembro/2005 e alterado em 23/02/2007).