Sejam Bem Vindos

Espero que curtam e acompanhem meus posts. Conto com a participação de vocês com comentários, sugestões e até mesmo críticas, desde que construtivas.

O Cego de Jericó

Com certeza Bartimeu saiu de casa aquele dia para mais um dia de rotina. Vs. 46 – Sentado à beira do caminho (solitário) - Jesus era seguido de seus discípulos e grande multidão, ele poderia pensar: “será que ele me notará, fará alguma coisa por mim?”

O Vulto da Mulher da Foice

Diz a lenda que em uma pequena cidade do interior, um vulto de uma mulher vestida de negro e com uma foice em punho era vista em pontos diferentes do lugarejo altas horas da noite por muitas vezes.

Seus Olhos

Seus olhos me olham profundamente, Num brilho que reflete em minha alma, Lá no fundo eles me dizem o que seu coração espera,

É Verdade Amor

É verdade amor Não tem mais como esconder O que sinto por você. Relutei, não queria aceitar Pensava: Ela é minha amiga, não posso me apaixonar

quinta-feira, 31 de março de 2011

A MULHER ESQUELÉTICA‏



Me chamo Polly, tinha um namorado que me amava muito. Ele gostava do meu corpo e me achava em forma, eu me achava gorda. Resolvi agradar as amigas e não ele. Passei a fazer dietas e mais dietas. Nada de doces, comidas calóricas e muito menos chocolate. Os bombons que ele me dava deixei de lado. Fui ficando magra, magrinha, magérrima. Esquelética mesmo. 

Minhas amigas sempre me elogiando, dizendo que eu estava em forma. E eu toda contente. Mas não percebia que minha vida estava mudando. Meu namorado cansou de me dizer que eu estava muito magra e me trocou por outra,“gordinha”. 

Confesso que não entendi. Eu toda em forma e ele me troca por uma gorda. Continuei minhas dietas e regimes e quase nem comia mais. Tinha dia que era somente duas folhas de alface, outro duas bolachas de água e sal. Fui me dar por conta, quando tive que ir ao médico devido a um mal súbito, desmaio mesmo, sabe? E ele disse que eu estava couro e osso. 

E, pior, doente. Sim, doente. O doutor me disse que se continuasse assim eu iria parar no cemitério. Doeu! Foi aí que caí na real e percebi que estava me acabando, sumindo, morrendo. Então percebi que ainda tinha tempo de me recuperar. 

Parei de dar ouvidos às minhas amigas, pois elas nem mais andavam comigo por vergonha. Voltei a me alimentar bem, com a ajuda de um nutricionista. Ganhei peso, aos poucos recuperei a forma, encontrei um cara que me ama e vou até me casar. E não é que minhas amigas se aproximaram de novo e dizem que eu estou criando pneuzinhos? Mas quer saber, não estou nem aí. Tô em forma, tô feliz.

segunda-feira, 7 de março de 2011

O CAMINHO DAS PEDRAS




Ao ler o título talvez você esteja pensando que caminho seja esse. Poderia ser as ruas do centro histórico da Cidade de Goiás ou então a descoberta de um veio de diamantes, pedras preciosas, mas não é nada disso.

Há mais ou menos um ano e meio, tenho feito sessões de flexível para quebrar pedras nos rins. Nesse período foram quatro cirurgias. Tudo começou no final do ano de 2008 quando num final de semana sofri com cólicas renais e não foi nada bom. Somente quem já sofreu pelo menos uma pode entender o que passamos. 


A dor não se concentra apenas nos rins, mas interfere em todo o organismo. Minha mãe dizia que era bem semelhante às dores do parto. Às vezes penso que as pessoas não entendem bem o que é sofrer dessas cólicas renais. A primeira coisa que te dizem é: “Você tem que beber água”. Como se a gente não soubesse ou não o fizesse nunca. Não tente explicar pra alguém que sofre dos rins que ele precisa beber água, isso é natural e os médicos já dizem o tempo todo. Bom, voltando às cólicas, passei de sexta a domingo sofrendo muita dor, até que urinei uma pedrinha. 

Geralmente quando se tem cólicas nos rins, é porque algum cálculo quer sair. E foi o que me aconteceu naquela ocasião. Mas com o passar dos dias percebi que continuava a urinar fibrina (uma substância gelatinosa) e sentir incômodo nos rins e foi então que procurei um médico, fiz exames e ficou constatado que tinha pedras grandes nos dois rins, melhor, pedras não, verdadeiros tijolos. 

O urologista disse que a do rim esquerdo era do tamanho de uma azeitona e do direito semelhante a um ovo de codorna, pra mim mais parecida com uma castanha de amendoim de uns três centímetros. Descoberta a pedreira era necessário começar a detoná-la e segundo o médico, da forma menos agressiva ao organismo. Constatado através de exames que eu estava apto para as cirurgias era hora de começar. Seriam as flexíveis. 

Até agora foram quatro. Em 2009 fiz duas pra quebrar a pedra do rim esquerdo que estava em situação mais ofensiva como um centroavante na boca do gol. Estava causando inclusive uma hidronefrose (Distensão da pelve e cálices renais pela urina, em conseqüência da obstrução ureteral, observando-se, também, atrofia do parênquima renal; uronefrose). Em 2010 foram mais duas no rim direito. Pedra dura, será preciso pelo menos mais uma pra destruí-la totalmente. Começava aí o caminho das pedras. Até então nesses meus quarenta e sete anos, havia ficado internado apenas por duas vezes. 

Aos 14 anos por cinco dias por causa de uma infecção urinária e dez anos depois, passei uma noite no hospital por causa de uma cólica renal, imagine. Se você tem vergonha de algumas coisas, quando vai para um hospital talvez precise deixá-la em casa. Internei-me para a primeira cirurgia e apenas com uma camisola dessas de hospital foi levado ao centro cirúrgico onde o anestesista lhe faz uma pequena entrevista ao mesmo tempo em que injeta sedativo no soro, no meu caso nem sei quando foi que dormi. 

Já durmo facilmente sem essas drogas. Nem percebi quando me aplicaram a anestesia na coluna e somente acordei quando já tinham terminado o serviço. Um cateter ficou dentro de mim, uma espécie de mangueira da largura do canal da urina fazia uma ponte entre o rim e a bexiga, é por ali que sairiam os resíduos “pedrais”. Voltei pro quarto ainda sem sentir direito as pernas por causa da anestesia sem calças e com uma sonda na ponta do pênis. Seminu durante um dia e uma noite inteiros. 

Agora imagine, com uma sonda pendurada no bilau e um soro ligado no braço, ninguém te visita, mas entra e sai gente da enfermaria toda hora. Por isso disse que é preciso deixar a vergonha em casa. Como foram quatro cirurgias, nas últimas você perde a vergonha e nem se importa com nada. Nem enrubesce quando a enfermeira vem tirar a sonda no dia seguinte. Fica de boa. Só não da pra ficar tranquilo na hora de urinar, hum, vai arder lá... é isso mesmo, lá onde você pensou. Ah, a flexível é feita através da uretra, o aparelho é introduzido até no rim onde a pedra é bombardeada com laser durante uns quarenta minutos.
 

Não pense que minha experiência com as pedras começaram nesse período, muito pelo contrário, tenho convivido com cólicas renais e pedras, que eu me lembre, desde minha adolescência. Quando estamos sofrendo dores fortes não precisamos ficar desesperados, nervosos, nem muito menos maltratar as pessoas. Procuro manter a calma e a tranquilidade. 

Deve ser por isso que numa ocasião quando fui a um posto de saúde, visto que já não aguentava mais de tanta dor e a atendente não me deu a mínima, deve ter pensado que eu estava mentindo, pois conversei normalmente com ela. Ela disse que a médica plantonista, uma pediatra, diga-se de passagem, estava para o almoço, isso por volta das cinco da tarde e que eu teria de esperar. 

Olhei para a rua e avistei uma farmácia e me dirigi para lá onde fui bem atendido e tomei uma injeção de buscopan na veia. Tive várias cólicas e urinei um incontável número de pedras nesse longo período. Já te conto a que talvez tenha sido a pior delas. Antes falta dizer que fiz muitos exames de sangue e urina, raios-X? Perdi a conta. Ultra-sonografia um monte, cintilografia apenas uma, é um exame feito com energia nuclear, é mole? 

Pra mim o pior de todos é a urografia, uma espécie de radiografia em que você precisa tomar um contraste, além de um laxante que te faz passar a noite no banheiro, ficar sem comer e ter sua barriga espremida por uma tela pelo menos durante uma hora. Numa dessas sessões, minha pressão abaixou tanto que o próprio radiologista desesperou. Nessa mesma ocasião fiquei das sete até às onze da manhã pra completar o exame.
 

Bom, era o ano de 1981, meu pai e eu tínhamos viajado pra casa de uma tia minha em Contagem na grande BH, certa noite dormíamos em um colchão jogado na sala de estar, quando lá pelas três da madrugada comecei a rolar pra lá e pra cá com dores nos rins. A princípio fui aguentando, mas a dor da cólica foi aumentando e aumentando numa força tal que como eu disse lá atrás nesse texto descontrolou todo meu organismo. 

Tive que correr para o banheiro, ao mesmo tempo em que evacuava, vomitava, uh! Pra que lembrar isso. Como minha tia era muito sistemática, mesmo com aquela terrível dor, ainda fui dar uma lavada no banheiro com medo dela brigar comigo. Voltei para a cama, quando meu pai percebeu. Disse a ele que estava com fortes cólicas renais e logo ele e meu tio saíram comigo, por volta das quatro da manhã pra procurar uma clínica ou hospital de plantão. Não tínhamos carro, então fomos para o ponto de ônibus esperar o primeiro que passasse. 

Eu sentava na calçada, levantava, sentava de novo, péssimo. Pegamos o coletivo, ainda bem que não estava muito cheio e paramos próximo a uma clínica. Pra você ver o quanto isso é terrível, quando me atenderam e a enfermeira foi fazer a injeção, a dor já tinha trespassado. Fiquei o resto do dia com medo da dor voltar, sem contar aquela sensação estranha que fica depois dessas famigeradas. Uns meses depois já em casa urinei a pedra.
 

Já tomou chá de quebra pedras, chapéu de couro, conta de lágrimas? Eu, aos montes e pra mim nunca adiantou nada.
Vou indo, se quiser me encontrar, sigo no caminho das pedras.








NÃO POSSO ENTENDER



Eu não consigo me entender,
como pude deixar
as coisas chegarem aonde chegaram,
parece que já estava tudo resolvido,
E tudo estava tranqüilo,
Mas, de repente uma chama forte de amor, paixão,
Sei lá, reascendeu forte em meu coração.
Tão forte que só penso em você, o tempo todo.
E isso me aperta o peito gerando ansiedade
E angústia ao mesmo tempo,
Pois não sei o que fazer, pareço um bobo.
Fico atirando setas em sua direção
Pra ver se você se toca, se corresponde,
Mas você está quieta,
sei,
como você mesma disse,
parece estar surpresa com minhas atitudes
depois de tudo acabado, o tanto que te fiz sofrer
em um passado tão recente
e agora, olha eu de novo
declarando amor por ti
de fato é muito estranho,
pois nem mesmo eu entendo
só sei te dizer que essa sua indiferença, seu desprezo
estraçalham-me o peito, e isso dói demais
sou mesmo um tolo em te amar.

heronjc@hotmail.com
HERON’S – heronfashion43.blogspot.com

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

A MULHER DO JORGE



("Eu já namorei e até casei com a mulher do Jorge")


Jorge era um cara sério, honesto, trabalhador e muito boa gente que morava numa cidadezinha do interior. A maior parte do seu tempo passava no trabalho numa loja de materiais para construção onde era gerente de vendas. Tijolos, areia, cimento e outros itens eram negociados diariamente pelo sujeito. Era muito respeitado pela honestidade e retidão de caráter. Preferia levar prejuízo em algum negócio do que prejudicar alguém. Se havia dúvida, dava razão ao cliente. Dizem os amigos mais chegados que poderia construir uma casa grande e muito boa com todo dinheiro perdido nessas situações. Pois fazia questão de ressarcir a empresa e tudo era abatido em seu salário.


Ao sair do trabalho à tardezinha, sempre passava no bar do “Seu Zubão”. Zubão era um sujeito negro e vivia sempre enfiado numa roupa listrada de cinza que mais parecia um pijama. Seu boteco era simples e sempre muito limpo, pois exigia muito de sua funcionária, Mara Gavetinha. Ela sempre muito calada, aguentando os enjoos e chateações de uns clientes que passavam o dia todo por lá. Uns caras folgados que parece, não tinham o que fazer. Milnério, um metido a galã, cheio de lábia e que não pegava ninguém fazia muito tempo. Isso é se já pegou algum dia.Ficou sumido uns três meses e não se sabe por onde andou. Tem quem diga que foi atrás de um rabo de saia, mas sentiu saudades de “Gavetinha”. Seu amigo Zapateiro (um afrodescendente engomadinho) que é muito ligado à moça avisou-lhe que ela estava sozinha novamente, apesar de muito assediada. Marca ponto na birosca também um loirinho.


O principal assunto não somente no bar, mas em todo o lugarejo é uma linda e atraente mulher. Seu corpo avantajado e bem torneado (diz logo, “Deusa Grega”) atrai a atenção dos homens, inclusive os comprometidos. Até as mulheres e religiosos não cessavam de falar dela. Com certeza, Cirna, seu nome, uma croata por descendência, fazia parte das fantasias amorosas da marmanjada. Apesar de ela ser muito séria e não dar moral pra qualquer um (nunca tinha saído com ninguém até então), as esposas tinham o maior ciúme e despeito da garota.


Jorge era solteiro e solitário e tinha sonhos de formar uma família. Além de ser boa pinta, era estabilizado. Tinha um bom emprego, casa própria, carro do ano. Mas seus amigos diziam que ele não tinha sorte com as mulheres, tanto que podia contar nos dedos as namoradas, umas cinco (Gilda, Estela,...). Ele dizia que a verdade é que não tinha encontrado a pessoa certa pra ser sua eterna companheira, mãe de seus filhos e que passaria a velhice juntos e todo esse costumeiro discurso. O cara era tradicional e acreditava piamente nessas coisas. Era capaz de ser um ótimo pentecostal renovado e ainda ter namoro de corte.
 

A verdade é que foi durante uma tarde quente de verão, que Jorge estava tomando um suco (pois é o cara não bebia) no bar do Zibão com seu melhor amigo, o Naldo, diminutivo de Telefonaldo. Nome próprio pode acreditar. Coisa de seu pai quando foi registrá-lo, mas não me pergunte por quê. Bom, voltando ao assunto, naquela tarde Jorge conversava com os amigos no bar quando avistou do outro lado, caminhando pela rua, uma mulher, vestida de calça jeans justa, cós baixo, uma blusinha cavada curta e o umbiguinho de fora. Ai, ai, ai... Meu Deus. Sim, foi justamente o que Jorge pensou em voz alta. Seus olhos vidraram e não mudaram de direção. Seu coração disparou de tal forma que quase engasga com o suco. Ficou automaticamente apaixonado. Quem era a mulher? Cirna, claro. A deusa croata. O mais interessante é que ela também ao caminhar olhara para dentro do bar, meio que discretamente e curiosamente avistou Jorge.

Passados uns dias, precisamente dois meses, melhor, uns cinquenta e oito dias. Estavam namorando. Ah, não me peça detalhes de como foi o primeiro encontro, primeiro beijo, ou coisa parecida. O certo é que estavam namorando e apaixonados e já haviam marcado o casamento para dali três meses. Noivado? Com um mês juntos o cara já tinha comprado as alianças.


Jorge estava ansiosíssimo para a noite de núpcias, pois sonhara com esse dia a vida inteira e se guardado para tal e da mesma forma a garota, a croata Cirna.
O grande e esperado dia chegou. Casaram-se na igrejinha da cidade com efeito civil, ou seja, apenas uma cerimônia. Com direito a uma ornamentação digna de toda noiva e nesse caso, que noiva. Cirna estava lindíssima. Depois num hotel fazenda cedido pelo dono da loja de materiais para construção, o patrão de Jorge, aconteceu a festa. Uma recepção de impressionar pela organização. Um bufê da capital fora contratado para o serviço. O noivo queria o melhor e assim foi. Toda cidade foi convidada e compareceu em peso. Mas não me peça detalhes, de novo não. Vamos direto para a noite de núpcias.


Enquanto seguiam de carro para o hotel escolhido para a primeira noite, Jorge relembrava como tinha sido os últimos dias de solteiro. Passou boa parte deles nervoso, angustiado e muito, mas muito ansioso. Chegou a dar taquicardia algumas vezes. Certo dia Telefonaldo lhe disse: “Calma cara. Desse jeito vai colocar o coração pra fora”. A tensão era muita, meu Deus, ter aquela deusa nos braços e pra sempre, uh! Uuuuuuh! Coração acelerava que assustava.
Já na suíte, enquanto ela se arrumava em um compartimento separado, preparando-se para ele. Aquele ritual sabe não é? O cara deitou-se na cama e a ansiedade aumentou e veio a taquicardia.
Meia hora depois Cirna apareceu toda linda e perfumada e encontrou o cara apagado.


No velório ela era só choro, não conseguia nem falar. Apenas repetia baixinho, bem baixinho: “Jorge, porque Jorge?”.
Meses se passaram e certo dia no bar do “Seu Zibão” uma turma bebia e batia papo quando alguém disse: “Eu já namorei e até casei com a mulher do Jorge”. Era Loirinho, lembra-se dele? Acontece que esse sujeito sempre invejou muito a vida que Jorge levava e quando o cara se foi ele se aproximou da viúva na intenção de confortar, aproveitou da fragilidade da moça e acabou conquistando-a.


Não da pra terminar com, “E viveram felizes para sempre...” Então, “Jorge abriu os olhos, bocejou, olhou para o lado e lá estava Cirna dormindo como um anjo.”


Obs: Foto meramente ilustrativa.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O VULTO DA MULHER DA FOICE



Diz a lenda que em uma pequena cidade do interior, um vulto de uma mulher vestida de negro e com uma foice em punho era vista em pontos diferentes do lugarejo altas horas da noite por muitas vezes.
 

Sempre que essa mulher misteriosa era vista alguma coisa estranha acontecia e a polícia do local era acionada. Certa ocasião, por volta da meia noite a viatura policial chegou a tempo de encontrar um homem de uns 35 anos caído nas últimas e ao ser indagado por um policial, disse assustado e com muito medo que um vulto de uma mulher armada de uma foice havia se aproximado e... Não deu tempo de terminar de falar, pois o coração parou de vez. A verdade é que esse não foi o primeiro, apenas mais um de muitos casos semelhantes ao longo dos anos. E o que dizem na cidade é que esse também não foi o último. O que deixa todos muito alarmados.
 

Dizem as más línguas que tudo começou desde o dia em que uma família se mudou para aquela cidadezinha que era só paz e sossego. (Mas ninguém fala das festas varando a noite que aconteciam numa determinada casa noturna com o som altíssimo atrapalhando toda vizinhança de dormir e muito menos das rodinhas de “cheiradores” nos becos e nas beiradas dos muros alheios pela madrugada afora).

Essa família havia chegado pro lugarejo há alguns anos e fora morar numa casa próxima a única casa de festas do local. A verdade, diz a lenda que chegaram com a mudança pela madrugada e ninguém viu absolutamente nada, apenas pela manhã foi percebido que havia movimentos na casa. Não se sabia quem morava ali, quantas pessoas eram se homens e mulheres ou apenas um e outro. Sabia-se sim que por algumas vezes saía da garagem um carro preto com vidros escuros que sumia por horas e retornava sem que ninguém fosse visto. Imagina-se que fosse a uma cidade vizinha fazer compras ou coisa parecida. Alguém um dia disse ter visto uma mulher loira ao volante, mas nunca foi confirmado tal boato.


O jornaleco local, o “Correio do Córrego Vermelho” associa o começo da aparição do “Vulto da Mulher da Foice” com a chegada da família misteriosa à cidade. “Concidencia?”
Uma outra coisa que não foi dita, é que mesmo antes da mudança dessa família furtos aconteciam nos lares, por vezes sumiam de peças de roupas no varal até aparelhos eletro eletrônicos.
Passarinhos como canários, pintassilgos, João Congo, papagaios, curiós, entre outros, desapareceram aos montes nos últimos tempos, geralmente á noite e só restavam algumas penas para seus donos. Seria uma ação natural dos gatos que existem em grande número na região? Para a abalada comunidade não. Tudo é transferido para o tal vulto da “Mulher da Foite”.


Por informação do delegado, as pessoas que haviam morrido nos últimos anos em ocorrência da visão do vulto da “Mulher da Foice” eram ou ladrões, “cheiradores” com passagem pela polícia e um cara amalucado que perturbava todo mundo na região da casa do carro negro. Esse, coitado, foi encontrado morto dentro de uma vala no quintal de uma casa. Sabe-se que muita gente se sentiu aliviada quando correu a notícia do óbito do famigerado. Ele amedrontou tanta gente, saía pela cidade rasgando até o lixo na porta das casas. Deve ter provocado a ira de um montão de pessoas e caso o chefe de polícia fosse interrogar os possíveis envolvidos certamente que mais da metade da população passaria pelo distrito policial. Mas as suspeitas policiais foram todas direcionadas para o vulto da “Mulher da Foice”.


Outra coisa curiosa é que por vezes, à noite, saía da “casa do carro negro” um som automotivo muito alto incomodando vizinhos da redondeza. Sempre, em torno de meia hora, Amado Batista e Eduardo Costa gritavam baladas bem alto. Ninguém tinha coragem de denunciar, pois suspeitavam que daquela casa viesse o tal vulto da “Mulher da Foice” e morriam de medo, muito medo.
O que as pessoas não conseguiam perceber é que depois do surgimento da lenda da “Mulher da Foice”, as noites ficaram mais tranqüilas, visto que ninguém mais conseguia sair depois da meia noite. A casa noturna mudou de ramo e agora promovia festas infantis e bailes para idosos e aposentados, sempre no turno vespertino. Os assaltos às residências chegaram a zero e os “cheiradores” que persistiram no vício mudaram de cidade, segundo estatísticas da polícia local.


Como será que termina nossa história? A polícia vai visitar a casa suspeita? Será que mora mesmo lá uma loira? Encontrará uma coleção de foices trancada na despensa? Pássaros empalhados no porão? Uma capa preta pendurada atrás da porta da sala? Uma coleção de literaturas macabras? Todos os filmes do Conde Drácula?
O que se sabe é que alguns dos desaparecidos não tiveram seus corpos encontrados e surgiu um boato que a “Mulher da Foice” era dona de um matadouro frigorífico que produzia um delicioso salame.

Tudo se volta agora para a varanda de uma casa, numa noite chuvosa onde dois irmãos conversam com uma mulher loira vestida de negro toda sorridente e cheia de histórias, os rapazes gargalham muito ao ouvi-la e quase suspiram pela sua misteriosa beleza. Sobre a mesa cerveja, bisnagas de salame... Num instante há uma queda de energia, tudo fica escuro, ouvem-se longos gritos. Um barulho de lâmina. Será mais uma investida da “Mulher da Foice”?
Fique sabendo no próximo capítulo? Próximo episódio? Semana que vêm? Nãããão, somente quando a luz voltar.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

OLHOS D'AGUA


Chove torrencialmente lá fora, como há muito tempo em nossa cidade. A última vez tinha sido na ocasião da enchente que trouxe tantos prejuízos pra Vila Boa e seus moradores.

Mas não quero falar nisso (trouxe muita dor e sofrimento pra muita gente), prefiro me ater no presente momento. O que será que está acontecendo, qual será o motivo para Deus derramar tantas lágrimas?

Outro dia durante uma audição de seu programa, meu amigo Raimundo falava da chuva e dos olhos d’água na terra provocados por ela. Interessante, confesso que até aquele momento nunca tinha ouvido falar, pelo menos que eu me lembrasse, até disse pra ele que olhos d’água é quando alguém chora demais e fica carregado de lágrimas. Foi quando ele me disse o que eram, não me pergunte, posso visualizar mas não sei explicar.

Depois em casa, fui pro dicionário, pra ver o significado, sabia que lá deveria ter alguma menção a respeito.

Olhos d’água – Nascente de água, vertente, olheiro.
Seria possível o técnico de um time de futebol dizer que mandou o olho d’água pra observar seu próximo adversário? Bom, parece que não, mas se formos observar, curioso é que um dos significados da palavra “olhos d’água” é “olheiro”, e olheiro no futebol é justamente aquele sujeito que é enviado pelo técnico pra observar uma outra equipe que seu time deverá enfrentar. Por outro lado, esse olheiro também é enviado a observar um possível talento da bola, caso se constate que de fato o é, esse “craque” pode lhe encher os olhos (d’água) com suas jogadas de gênio.

Bom, já que eu estava consultando o dicionário, e normalmente quando consulto uma palavra, acabo olhando outras à sua volta na mesma página, pude constatar que (não que eu não soubesse) além de olhos d’água, também existem olhos-de-sogra, que curiosamente não são apenas os olhos da mãe da esposa ou esposo, mas também são doces, uma tal de ameixa recheada. Mas nem te conto, as tais ameixas não são feitas do fruto da ameixa, que confusão. Pior seria o genro gostar tanto do tal doce que quisesse comer os olhos da sogra, mas pensando bem, é ela (a sogra) que deseja comê-lo vivo por causa de sua filha (ele que não brinque). Entendeu? Hein? Nem eu.

Olho-de-boi, tá pensando que estou falando dos olhos daquele boi que fica lá na fazenda, não, nãnãninãnão. “Olho-de-boi” é clarabóia arredondada. Quer saber o que é clarabóia? Não pense que é a sua irmã, amiga ou alguma mulher chamada Clara tomando banho no mar Morto (devido ao excesso de sal existente nas águas desse mar ninguém afunda) e boiando claro, afinal de contas é clarabóia ou bóia clara (bóia clara deve ser uma marmita de arroz com ovos). Clarabóia é uma abertura redonda no alto dos edifícios coberta de vidro para gerar claridade.

Podemos dizer que no alto dos arranha-céus existem olhos-de-boi, deve ser pra observar a chegada dos helicópteros, os namorados no terraço, as estrelas e a lua à noite e sol durante o dia. Porque não dizer que servem pra observar a chuva, sim, chuvas como essa que cai feito torrente sobre a cidade, talvez até, se puder faça a mesma pergunta, seriam olhos d’água os olhos de Deus?