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O Cego de Jericó

Com certeza Bartimeu saiu de casa aquele dia para mais um dia de rotina. Vs. 46 – Sentado à beira do caminho (solitário) - Jesus era seguido de seus discípulos e grande multidão, ele poderia pensar: “será que ele me notará, fará alguma coisa por mim?”

O Vulto da Mulher da Foice

Diz a lenda que em uma pequena cidade do interior, um vulto de uma mulher vestida de negro e com uma foice em punho era vista em pontos diferentes do lugarejo altas horas da noite por muitas vezes.

Seus Olhos

Seus olhos me olham profundamente, Num brilho que reflete em minha alma, Lá no fundo eles me dizem o que seu coração espera,

É Verdade Amor

É verdade amor Não tem mais como esconder O que sinto por você. Relutei, não queria aceitar Pensava: Ela é minha amiga, não posso me apaixonar

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

A MULHER DO JORGE



("Eu já nomorei e até casei com a mulher do Jorge")


Jorge era um cara sério, honesto, trabalhador e muito boa gente que morava numa cidadezinha do interior. A maior parte do seu tempo passava no trabalho numa loja de materiais para construção onde era gerente de vendas. Tijolos, areia, cimento e outros itens eram negociados diariamente pelo sujeito. Era muito respeitado pela honestidade e retidão de caráter. Preferia levar prejuízo em algum negócio do que prejudicar alguém. Se havia dúvida, dava razão ao cliente. Dizem os amigos mais chegados que poderia construir uma casa grande e muito boa com todo dinheiro perdido nessas situações. Pois fazia questão de ressarcir a empresa e tudo era abatido em seu salário.


Ao sair do trabalho à tardezinha, sempre passava no bar do “Seu Zubão”. Zubão era um sujeito negro e vivia sempre enfiado numa roupa listrada de cinza que mais parecia um pijama. Seu boteco era simples e sempre muito limpo, pois exigia muito de sua funcionária, Mara Gavetinha. Ela sempre muito calada, aguentando os enjoos e chateações de uns clientes que passavam o dia todo por lá. Uns caras folgados que parece, não tinham o que fazer. Milnério, um metido a galã, cheio de lábia e que não pegava ninguém fazia muito tempo. Isso é se já pegou algum dia.Ficou sumido uns três meses e não se sabe por onde andou. Tem quem diga que foi atrás de um rabo de saia, mas sentiu saudades de “Gavetinha”. Seu amigo Zapateiro (um afrodescendente engomadinho) que é muito ligado à moça avisou-lhe que ela estava sozinha novamente, apesar de muito assediada. Marca ponto na birosca também um loirinho.


O principal assunto não somente no bar, mas em todo o lugarejo é uma linda e atraente mulher. Seu corpo avantajado e bem torneado (diz logo, “Deusa Grega”) atrai a atenção dos homens, inclusive os comprometidos. Até as mulheres e religiosos não cessavam de falar dela. Com certeza, Cirna, seu nome, uma croata por descendência, fazia parte das fantasias amorosas da marmanjada. Apesar de ela ser muito séria e não dar moral pra qualquer um (nunca tinha saído com ninguém até então), as esposas tinham o maior ciúme e despeito da garota.


Jorge era solteiro e solitário e tinha sonhos de formar uma família. Além de ser boa pinta, era estabilizado. Tinha um bom emprego, casa própria, carro do ano. Mas seus amigos diziam que ele não tinha sorte com as mulheres, tanto que podia contar nos dedos as namoradas, umas cinco (Gilda, Estela,...). Ele dizia que a verdade é que não tinha encontrado a pessoa certa pra ser sua eterna companheira, mãe de seus filhos e que passaria a velhice juntos e todo esse costumeiro discurso. O cara era tradicional e acreditava piamente nessas coisas. Era capaz de ser um ótimo pentecostal renovado e ainda ter namoro de corte.
 

A verdade é que foi durante uma tarde quente de verão, que Jorge estava tomando um suco (pois é o cara não bebia) no bar do Zibão com seu melhor amigo, o Naldo, diminutivo de Telefonaldo. Nome próprio pode acreditar. Coisa de seu pai quando foi registrá-lo, mas não me pergunte por quê. Bom, voltando ao assunto, naquela tarde Jorge conversava com os amigos no bar quando avistou do outro lado, caminhando pela rua, uma mulher, vestida de calça jeans justa, cós baixo, uma blusinha cavada curta e o umbiguinho de fora. Ai, ai, ai... Meu Deus. Sim, foi justamente o que Jorge pensou em voz alta. Seus olhos vidraram e não mudaram de direção. Seu coração disparou de tal forma que quase engasga com o suco. Ficou automaticamente apaixonado. Quem era a mulher? Cirna, claro. A deusa croata. O mais interessante é que ela também ao caminhar olhara para dentro do bar, meio que discretamente e curiosamente avistou Jorge.

Passados uns dias, precisamente dois meses, melhor, uns cinquenta e oito dias. Estavam namorando. Ah, não me peça detalhes de como foi o primeiro encontro, primeiro beijo, ou coisa parecida. O certo é que estavam namorando e apaixonados e já haviam marcado o casamento para dali três meses. Noivado? Com um mês juntos o cara já tinha comprado as alianças.


Jorge estava ansiosíssimo para a noite de núpcias, pois sonhara com esse dia a vida inteira e se guardado para tal e da mesma forma a garota, a croata Cirna.
O grande e esperado dia chegou. Casaram-se na igrejinha da cidade com efeito civil, ou seja, apenas uma cerimônia. Com direito a uma ornamentação digna de toda noiva e nesse caso, que noiva. Cirna estava lindíssima. Depois num hotel fazenda cedido pelo dono da loja de materiais para construção, o patrão de Jorge, aconteceu a festa. Uma recepção de impressionar pela organização. Um bufê da capital fora contratado para o serviço. O noivo queria o melhor e assim foi. Toda cidade foi convidada e compareceu em peso. Mas não me peça detalhes, de novo não. Vamos direto para a noite de núpcias.


Enquanto seguiam de carro para o hotel escolhido para a primeira noite, Jorge relembrava como tinha sido os últimos dias de solteiro. Passou boa parte deles nervoso, angustiado e muito, mas muito ansioso. Chegou a dar taquicardia algumas vezes. Certo dia Telefonaldo lhe disse: “Calma cara. Desse jeito vai colocar o coração pra fora”. A tensão era muita, meu Deus, ter aquela deusa nos braços e pra sempre, uh! Uuuuuuh! Coração acelerava que assustava.
Já na suíte, enquanto ela se arrumava em um compartimento separado, preparando-se para ele. Aquele ritual sabe não é? O cara deitou-se na cama e a ansiedade aumentou e veio a taquicardia.
Meia hora depois Cirna apareceu toda linda e perfumada e encontrou o cara apagado.


No velório ela era só choro, não conseguia nem falar. Apenas repetia baixinho, bem baixinho: “Jorge, porque Jorge?”.
Meses se passaram e certo dia no bar do “Seu Zibão” uma turma bebia e batia papo quando alguém disse: “Eu já namorei e até casei com a mulher do Jorge”. Era Loirinho, lembra-se dele? Acontece que esse sujeito sempre invejou muito a vida que Jorge levava e quando o cara se foi ele se aproximou da viúva na intenção de confortar, aproveitou da fragilidade da moça e acabou conquistando-a.


Não da pra terminar com, “E viveram felizes para sempre...” Então, “Jorge abriu os olhos, bocejou, olhou para o lado e lá estava Cirna dormindo como um anjo.”