Sejam Bem Vindos

Espero que curtam e acompanhem meus posts. Conto com a participação de vocês com comentários, sugestões e até mesmo críticas, desde que construtivas.

O Cego de Jericó

Com certeza Bartimeu saiu de casa aquele dia para mais um dia de rotina. Vs. 46 – Sentado à beira do caminho (solitário) - Jesus era seguido de seus discípulos e grande multidão, ele poderia pensar: “será que ele me notará, fará alguma coisa por mim?”

O Vulto da Mulher da Foice

Diz a lenda que em uma pequena cidade do interior, um vulto de uma mulher vestida de negro e com uma foice em punho era vista em pontos diferentes do lugarejo altas horas da noite por muitas vezes.

Seus Olhos

Seus olhos me olham profundamente, Num brilho que reflete em minha alma, Lá no fundo eles me dizem o que seu coração espera,

É Verdade Amor

É verdade amor Não tem mais como esconder O que sinto por você. Relutei, não queria aceitar Pensava: Ela é minha amiga, não posso me apaixonar

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

FELIZ 2013


Entendo que não há nada de sobrenatural na passagem de um ano para o outro.

Mas acredito no sobrenatural de Deus disponível a todos que crêem. 

O desejo de Deus é de nos abençoar sempre, a cada instante e ele o faz. 

Se está esperando o milagre de Deus e não consegue visualizá-lo, olhe pra você. Nossa vida é o maior milagre d'Ele pra nós. 

Faça planos, projetos para o novo ano que está chegando. Lute por eles, para que sejam realizados, mas mantenha seus olhos fixos em Jesus Cristo e esteja sensível ao Espírito Santo, 

pois pode haver alterações no percurso e quando Deus nos alerta por alguma coisa é porque Ele sabe o que é melhor pra nós. 

A Bíblia em Tiago nos diz:

"Eia agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã iremos a tal cidade, lá passaremos um ano, negociaremos e ganharemos.

No entanto, não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois um vapor que aparece por um pouco, e logo se desvanece.

Em lugar disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo". (Tiago 4:13 a 15)

Podemos e devemos fazer planos para nossa vida, mas os mesmos precisam estar em sintonia com a vontade de Deus. 

E como as coisas nem sempre são fáceis, os caminhos percorridos muitas vezes tem espinhos, pedras, sol quente ou chuvas fortes criando obstáculos. 

Entendo que pelo menos duas coisas são necessárias na jornada diária de nossas vidas não importando as circunstâncias - Fé em Deus e muito bom humor. 

Desejo a você um ano novo de muito sucesso (sempre lembrando que pra isso é necessário muito trabalho), paz, saúde e felicidade.

Grande abraço, 

Heron José

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

FIM DO MUNDO


José Maya e Ana Asteca são de regiões diferentes e distantes, ele no sul e ela no nordeste do país.

Conheceram-se na internet, num site de relacionamentos e já faz algum tempo que estão se relacionando, na verdade são seis meses, mas ainda não se conhecem pessoalmente.

O casal está cada vez mais apaixonado e em conseqüência disso, apenas o contato virtual, já não é mais suficiente, mesmo se vendo diariamente na webcam. Ambos sentem a necessidade do contato físico, do estar e viver juntos, claro.

A ansiedade por esse primeiro encontro é grande e eles vêm planejando isso há algum tempo, a questão é que existem alguns empecilhos, entre eles, talvez o principal, a falta da grana.

Mas a proximidade do dia 21 de dezembro de 2012, data do FIM DO MUNDO, anunciada e propagada pelos canais de rádio e televisão e bem ventilada na rede mundial de computadores levou a garota a apressar o jovem amado a providenciar logo esse encontro.

Como o dia vinte e um tem se aproximado e a incerteza se o mundo vai acabar ou não e ainda o medo de não viverem esse apaixonante encontro, fez com que Zé Maya acelerasse tudo.

“Dei um jeito aqui” disse ele pra ela por telefone, “Viajo amanhã ‘praí’”. Mesmo diante da insistência dela, não deu mais explicações de como tinha arranjado tão rapidamente o dinheiro que vinha dizendo não ter nos últimos meses.

Era 20 de dezembro quando se encontraram no aeroporto, apaixonante por sinal, com direito a forte abraço e prolongado beijo.

A pedido dele, ela havia preparado uma programação intensa para aquele dia com direito a praia, mar, água de coco, passeio pela cidade, cinema, música, dança, tudo regado a beijos e abraços, culminando com jantar romântico e até uma noite de lua de mel antecipada.

Queriam aproveitar o tempo que restava a humanidade, “vai que o mundo acaba mesmo”. Esse era o pensamento e palavra de ordem dos jovens apaixonados.

De fato o dia foi ótimo e a noite foi fantástica. O casal se amou apaixonadamente naquele quarto de hotel luxuoso com vista para a praia.

Era noite de céu estrelado e lua cheia, propício para a primeira noite romântica daquele par. Tudo muito harmonioso.

Ele acordou assustado, no relógio, duas e meia da manhã, olhou de lado e percebeu que estava sozinho, um bíblia aberta no livro de  Apocalipse sobre a cama.

Ficou preocupado ao se lembrar do tal fim do mundo, pensando cadê ela, sua amada, o certo é que ela não estava em nenhum canto daquele quarto. “Será que foi arrebatada”, pensou ele. 

O clima estava estranho, pesado. Foi até a janela e percebeu muita fumaça, raios, explosões, gente desesperada, correndo pra todo lado, chorando e gritando histericamente, tudo ao mesmo tempo. Seria o fim do mundo?

Começou a chorar e a pedir perdão a Deus se lembrando que havia roubado dinheiro do cofre da empresa que trabalhava pra poder viajar, já que o mundo iria acabar mesmo.

Agora se lembrava do texto bíblico: “Então, estando dois homens no campo, será levado um e deixado outro; estando duas mulheres a trabalhar no moinho, será levada uma e deixada a outra. Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor.”

“Eu fiquei, eu fiquei”. Falava em voz alta e chorava pensando ter acontecido o arrebatamento descrito na Bíblia, quando de repente a porta da suíte se abre, era Ana Asteca.

Não chore querido, não é o fim do mundo, eu estou aqui todinha pra você, foi apenas um incêndio no prédio da esquina...

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

PERDIDO NO TEMPO (INSANIDADE)


Estou perdido no tempo
Entre o presente e o passado
Sem conseguir olhar para o futuro

Sinto-me frustrado e decepcionado
Enorme é o vazio e imensa a desilusão
Não consigo aceitar essa possibilidade

Perco-me em devaneios
E minha mente viaja em lembranças
Dos momentos bons que com ela passei

Beijos, abraços, intimidades, confidências, cumplicidade
Ao mesmo tempo, solidão, tristeza, incompreensão
Um conflito de pensamentos que perturba e aperta forte meu peito.

Impossível continuar vivendo assim
A loucura é grande, a insanidade é tamanha
Que paranóia essa minha
Se ela está aqui dormindo ao meu lado?


* Arte de Luciano Max

domingo, 18 de novembro de 2012

EU NÃO MORRI



É noite e estamos em um belo apartamento com vista para o mar, na sala com pouca luz, sobre a mesa de centro champanhe bem gelada, no confortável sofá uma linda mulher e seu parceiro sorrindo muito brindam e se beijam. A alegria está estampada em seus rostos, parece que algo muito bom acaba de lhes acontecer, o que será?

Enquanto isso num outro lugar, eu estava cansado de observar o tempo, as pessoas, o movimento e nada de acordar, seria mesmo um sonho? Apesar de o tempo estar estranho e mudar de segunda pra sexta tão rapidamente parecia um longo período pra ser um sonho, apesar da confusão de situações ocorridas até ali.

Esforçava-me pra entender e buscava forças nos bons momentos de minha vida nos dias anteriores, a noite de noivado, quando senti um toque nos meus ombros, era o primeiro daquele dia maluco, olhei e percebi um homem alto, forte, iluminado, todo de branco em pé do meu lado com a mão em meu ombro. Ele transmitia paz, olhou-me e com uma voz forte, mas suave me disse: “Você não morreu.” Então apenas repeti em tom de interrogação, “ não morri?” (http://heronfashion43.blogspot.com.br/2012/06/eu-morri.html)

Naquele instante acordei e percebi que estava deitado num lugar escuro, fechado, apertado e quase sem ar. Minha cabeça doía bastante, tentei erguer as mãos com certa dificuldade forçando para cima algo que parecia uma tampa de madeira. Aos poucos consegui levantá-la e para minha surpresa estava em meu quarto, dentro de um grande baú antigo que mantinha em minha casa. Por isso estava meio encolhido quando acordei.

Saí, uma luz acesa no banheiro que estava de porta aberta iluminava o recinto. O clima estava estranho e pesado, algo maligno pairava no ar. Ouvi ruídos de vozes e estalos de beijos vindos da sala, olhei pela fresta da porta entreaberta, não consegui ver nada, pois tinha um corredor separando os cômodos. Caminhei pelo corredor com cuidado e na penumbra da sala percebi aquele casal se beijando. Era meu sócio e ela.

Voltava ao quarto tentando entender o que estava acontecendo, quando escutei meu sócio dizendo, “Tiramos aquele idiota de nosso caminho, e você querida fez tudo direitinho induzindo-o a beber aquela água envenenada. Vamos dar sumiço no corpo e depois de alguns dias avisamos a polícia de seu desaparecimento.”

Novamente no quarto e extremamente confuso com o que estava acontecendo, não podia acreditar que meu amigo e sócio poderia não só planejar quanto executar tal plano contra mim. Tirar minha vida e com ajuda dela.

Corri os olhos em volta do quarto e sobre a cômoda percebi um revólver. Furioso com tudo peguei aquela arma e sem pensar parti para o encontro do casal.

Estavam tão distraídos que somente perceberam minha presença quando já estava na frente deles com a arma apontada. Levaram o maior susto, já que acreditavam que eu estivesse morto dentro daquele baú.

A questão é que comemoraram tanto, por horas, que demoraram a dar fim no meu corpo e por sorte minha, a secretária, incumbida de me envenenar, de tão sonsa usou sedativo que apenas me apagou por horas. Caso eles tivessem agido mais rápido, eu poderia estar de fato morto no fundo do mar onde eles pretendiam me jogar.

Agora estávamos ali de frente. Eu com a arma na mão apontada pra eles e os dois completamente abestalhados e com medo do que aconteceria. Na ira que me encontrava, sem titubear atirei não pensando nas conseqüências. Matei-os e me entreguei à polícia, fui preso, julgado e condenado. Hoje lhes conto essa história fechado em uma cela da penitenciária.

Não se assustem com esse final, na verdade foi o que passou por minha mente ainda no quarto com o revólver na mão, pois estava muito transtornado e revoltado com aqueles dois. 
Foram segundos de indecisão, mas, optei por fazer o correto, liguei pra polícia que logo chegou e os levou.

Minha noiva chegou em seguida,  preocupada. Quando me viu se atirou em meus braços, num forte e apertado abraço. Beijamo-nos apaixonadamente.

FIM

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

ENCONTRO DE AMOR (FRENESI)



Quando penso em você,
E sua imagem doce e bela se 

forma em minha mente,
 


Sinto-me arrepiar, num  longo frenesi
Que me arrebata a um lugar longínquo no espaço sideral

Onde temos a lua e as estrelas  como testemunhas
 

Você aparece em minha frente
Linda, linda e muito atraente numa energia e num perfume 
 

Que contagiam todo meu ser.
 

Num encontro iluminado e apaixonado de um conto de amor.                                                                       



** imagens da internet, arte Luciano Max

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

COMO ELE VEIO PARAR AQUI?




Noite passada, por volta de uma da manhã acordei com um barulho em meu quarto, fiquei deitado ainda sonolento desejando que fossem os cães do vizinho ao lado. É que chovia e eu havia acabado de pegar no sono e a cama estava muito atrativa, mas para minha infelicidade o barulho se repetiu e percebi que tinha alguma coisa se mexendo em meu guarda roupas. 

Esse ruído não me era estranho, visto que quando me preparava pra deitar ouvira algo semelhante, cheguei a dar uma olhadinha pela casa e não vi nada, então fui dormir.    
       
Bom, levantei-me e ao olhar por baixo do guarda roupas lá estava ele, um gambá. Então pensei: “como ele veio parar aqui?”. E fui logo dizendo com voz autoritária:  ­̶  sai daí logo, anda.
       
Me pergunte se ele saiu, claro que não. Bem que tentei ponderar com ele para que saísse amigavelmente, pois meu desejo era voltar pra cama imediatamente e retomar meu sono que estava bem gostoso. Mas acho que ele não entende meu idioma, pois não deu a mínima para o que eu disse. Cheguei a abrir a porta do quarto que da para a copa e corri para abrir a porta da cozinha pra ele sair logo, mas foi em vão. Lembrei-me do Kleston (meu gato de estimação que vive vestido com roupa de gato, ou seja, aquele famoso pijama listrado de cinza parece dormir o dia todo e a noite também.
Parece? Acho que ele não me estima nem um pouquinho, me deixar sozinho com esse abacaxi pra descascar. Uai, não era gambá?), mas cadê o bichano? Está presente o tempo todo miando e relando na perna da gente pedindo comida, importunando, mas agora, com aquele banquete lá no quarto, comida fresquinha, cadê o “bobão” do gato? Não me pergunte, pois não sei dizer, só fui vê-lo pela manhã dormindo no outro quarto.
       
Não sei se adiantaria ele aparecer pra ajudar, pois era um gambá e não rato. Cheguei a pensar que o gatinho sairia correndo de medo, isso sim. Foi melhor assim, pois não sei qual eu pegaria primeiro, o gato medroso ou gambá intruso. A propósito: Como ele veio parar aqui? Sabe me dizer se gambás atravessam paredes ou portas? Tem algum entendido aí? Pois o quarto ficou fechado o dia inteiro, bom, pode ter caído do telhado, o que acha?
               
Voltei ao quarto me abaixei próximo ao guarda roupas e tornei a dizer ao Didelphis, é isso mesmo, esse é o nome do famigerado que resolveu atrapalhar minha noite de sono. Sabia que suas fêmeas (não as suas, as deles) costumam dar cria entre dez e dezoito filhotinhos, se um incomoda, credo, já pensou dezoito? Não quero nem pensar. Não pense que fiquei batendo papo com ele sobre sua vida conjugal, não é isso não. Como ia dizendo, tornei a dizer-lhe:  ̶ Sai fora logo, se manda daqui cara, na paz.
       
Como eles não entendem de outro idioma senão o da vassoura, rodo ou coisa parecida, fui até o banheiro buscar a vassoura e voltei disposto a afugentá-lo imediatamente. Chegando ao quarto  dizendo a que vim e passei a vassoura por baixo do armário para assustar o “marsupial”.  

Então ele se assustou e soltou um grunhido (será que é esse o idioma dele, não entendi nada. Tenho que arrumar um tradutor), em seguida saiu correndo e fui atrás dele, pressionado escorregou e caiu escada abaixo, quando cheguei até ele, estava desacordado e curiosamente acontecia uma metamorfose e o gambá estava tomando forma de um estranho ser, parecido com esses extraterrestres vistos em filmes ou desenho animado.

Resolvi chamar uma ambulância do Samu, mas antes mesmo de eu me mover em busca do telefone, entrou pela porta da cozinha cinco outros “homenzinhos” daquele. Não me fizeram mal algum, se dirigiram ao desmaiado e num toque o reanimaram.

Depois de acordado, ele explicou que havia caído da nave num matagal e tomou a forma do primeiro ser que encontrou, um gambá. Em seguida se refugiou em minha casa enquanto aguardava o resgate da aeronave.
Essa é a mais pura verdade, mas sei que você deve estar duvidando de mim, ta vendo essa barata que invadiu sua casa nesse exato momento? É apenas um inseto, fica tranqüilo, não vai se transformar em ET. Fui!

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

CHAMADA ERRADA




Pelo telefone uma voz me dizia:
Estou quase morrendo de saudades de você.


Eu do outro lado sem compreender perguntei:
Quem é você?                                    



Ela então diz: Sei que minha voz está estranha por causa do choro,
Mas não posso acreditar que me esqueceu, meu amor.

Continuava sem entender e aquela voz não reconhecer,
Quem será essa pessoa que chora desesperada implorando
Minha atenção?

Faz algum tempo que não tenho namorada,
nem aventura, muito menos uma ficada,
Então lhe perguntei: quem é você afinal
Que chora inconformada a implorar o meu amor?

Agora eu só ouvia o som de choro,
Pelo jeito muitas lágrimas.
Após muitos soluços e minutos de silêncio,
Ela então se manifestou, e meio embasbacada
Assim me questionou: não consigo entender,
Nem ao menos aceitar que meu amor por você
Nada significou Elano.

Meu nome não é Elano,
Foi aí que percebi que aquela ligação
Era uma chamada errada e que
tudo não passara de um tremendo engano.

Alívio.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

CRISTINA E CLAUDINHA



Cristina era uma menininha acanhada e séria e acabara de fazer três aninhos. Ela não tinha um pai e seu grande sonho era que ele chegasse a qualquer dia pra ser como as outras crianças de sua idade. 

Sair com ele pra passear segurando em sua mão e se divertir muito. Ela imaginava os dois brincando de pique esconde, correndo um atrás do outro e se escondendo pra ser encontrado, ir à praça, ao parque, se divertir a doidado.

Comecei a namorar sua mãe e a primeira vez que a vi não me deu a mínima, mas devido aquele namoro começou também um relacionamento entre nós.
Confesso, não sabia no que daria aquele namoro, até onde iria, e na verdade esteve por algumas vezes para se acabar, certo é que cheguei a terminar, mas depois voltamos.

Não quero nem imaginar o que teria sido do meu relacionamento com a garotinha. É certo que terminando o namoro com sua mãe, o afastamento dela seria normal. 

Mas o bom de tudo é que essa história não acabou assim. O namoro continuou e passei a ir à casa da namorada e era só eu chegar para que ela, a menininha, corresse para o meu colo, agora, sempre sorrindo, e não me largasse mais. Revirava meus bolsos em busca de balinhas e chocolate, que então passei a carregá-los delas, para que sua busca não fosse frustrada.

Um dia, ainda no começo, sabia lá eu se aquele relacionamento teria futuro, estávamos na casa de minha sogra para um almoço em família, e o priminho da garotinha disse a ela apontando para seu pai, “eu tenho pai e você não tem”, imediatamente ela, sem precisar pensar duas vezes, pega na minha mão e diz: “aqui meu pai”. Desse dia em diante, eu não era mais apenas José para ela, agora eu era “pai” ou “papai”. Lá se vão vinte anos desse fato, e não consigo ficar sem me emocionar quando me lembro disso.

Essa decisão de Cristina  foi tão forte que influenciou sua irmãzinha de um ano a tal ponto que a primeira palavra dita por ela foi “papai”, pena que eu não estava perto para ouvir.
Claudinha, sua irmã por sinal também se apaixonou por mim, ainda não andava, mas quando ouvia minha voz vinha engatinhando até chegar ao meu colo.

Nossa ligação foi muito grande, quando fui trabalhar em outra cidade e fiquei quarenta dias longe, e ela sentindo minha falta perguntou sua mãe quando eu viria, sua mãe disse em julho e a partir daí, todos os dias ela perguntava: “mãe, hoje é julho?”

Vivia dizendo que queria ir embora comigo para Curitiba (onde eu estava morando naquela época), se deixasse, acho que iria.

Quando me casei e fomos embora, grande foi sua alegria ao chegar à capital paranaense.
Já casados há algum tempo, a garota costumava dizer para sua mãe que se nós nos separássemos ela ficaria comigo.

Claudinha era muito sapeca, certa vez deitada no sofá brincava com um prendedor de cabelos, o objeto era pequeno e ela o enfiou na boca e ele foi parar em sua garganta, quando sua mãe e a babá viram, ela já estava quase sem ar. Pegaram-na rapidamente pra correr para o pronto socorro, quando eu por instinto mesmo, enfiei o dedo em sua boca e tirei aquele negócio que estava quase descendo goela abaixo. Ufa!

Outra vez ela mesma, Claudinha foi para o banho, se trancou no banheiro abriu o chuveiro e estava lá por horas quando sua mãe desconfiada pela demora invadiu o recinto abrindo a porta com uma chave reserva e lá estava a menina sequinha dormindo deitada num canto. Aquele dia a bronca foi certa e por um longo tempo não se lavou sozinha.

Certa ocasião as garotinhas estavam indo ao supermercado, sua mãe havia as enviado com a ordem de voltar logo, pois as compras eram para preparar o almoço e elas tinham que ir para a escola.

Cristina encontrou pelo chão um pedaço de uma galha de árvore pequena e saiu carregando pelo caminho, em determinado momento ela resolve jogar para cima e pegar de novo ou jogar para Claudinha e receber de volta. A rua não estava muito movimentada, mas passava naquele instante uma camionete e Cristina errou a mão ao jogar a madeira, que foi parar no vidro do veículo. 

Que confusão, o carro parou, o dono desceu e estava bravo apesar de não ter quebrado nada. Quando as viu, percebeu que as conhecia, pois era meu amigo e prometeu apenas me contar o acontecido depois, mas nunca fiquei sabendo por ele. Elas é que muito tempo depois deixaram vazar tal fato.

Meu amigo na verdade as levou ao supermercado e ainda deixou-as em casa, que sorte das pequenas.

Elas hoje estão grandes, adultas e levam sua própria vida, mas tenho muita saudade daqueles tempos em que elas eram apenas duas garotinhas. História pra contar é que não falta, mas isso fica pra uma próxima oportunidade.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

A MENINA E A COXINHA


Existia em uma cidade do interior um chefe de  família que era aficionado nas forças armadas, na vida de militar mesmo não tendo conseguido ingressar apesar da vontade de seu velho pai que sonhava em ver seu filho fardado e servindo a pátria. Seu excessivo interesse era devido a tanta empolgação e incentivo do pai que falava nisso quase que todos os dias desde a infância de seu filho, “você um dia vai para o exército filhão.” 

Mesmo diante dos incentivos do pai que quase lhe ordenava essa direção para a vida futura somado ao seu desejo de realizar o sonho de seu progenitor ele tinha a que lidar com a oposição da mãe que o queria por perto, debaixo de suas asas. Ela sempre tentou demove-lo da idéia. Mas não foi por causa da pressão da mãe que ele não seguiu a carreira militar e sim por causa de um rabo de saia.

Ficou tão apaixonado por uma garota que conhecera numa festa aos 17 anos que então começou a trabalhar cedo pra poder se casar logo. De balconista de bar a vendedor de livros ambulante (tinha enciclopédia, livro infantil e literatura brasileira).
Aos dezenove casou-se com Virlanda, ela tinha apenas quinze e dois anos depois nascia sua primeira filha que o marido batizou de Aeronáutica, pasmem, Aeronáutica mesmo, uma forma de abrandar a mágoa do pai e de certa forma realizar seu sonho.

Um ano depois nascia sua segunda filha, a Marinha, isso mesmo, estavam sendo implantadas as forças armadas naquele lar. Bem que a mãe queria que fosse Infantaria, mas o pai bateu o pé e ficou como ele queria.
Marinha ainda estava sendo amamentada pela mãe quando essa se engravidou de um menino, “Exército”. Por causa disso um dia mamãe a colocou no colo para lhe explicar que ela não poderia mais mamar no peito, a menina ficou tão triste que desceu e vivia pelos cantos e não gostava que ninguém a pegasse.

Além de ficar pelos cantos a menina pouco comia. Não adiantava os esforços dos pais de tentar motivá-la a comer. Já haviam tentado de tudo, frango assado, pamonha, lasanha, iogurte, entre outros. Chocolate era a única coisa que ela ainda comia com vontade mas não era um alimento pra se comer nas refeições e nem todos os dias.   Marinha continuava magrinha e faminta, tudo isso por causa do trauma que ficou por ter que abandonar o peito da mãe.
Um certo dia Marinha estava sozinha em casa quando chegou uma encomenda, sim, uma amiga de sua mãe, salgadeira de mão cheia estava tão feliz pelo sucesso nos negócios que resolveu presentear Virlanda com um cento de coxinhas. Quando o moto boy bateu a porta para efetuar a entrega, não sabia que estava colaborando para a mudança de vida daquela criança infeliz.

A garota pegou aquela caixa e colocou sobre a mesa da cozinha e voltou a assistir televisão mas o cheiro era tão bom e havia invadido a pequena casa onde moravam que despertou a curiosidade dela. Voltou a cozinha várias vezes com vontade de mexer no pacote e recuava pois sua mãe poderia não gostar. Resolveu aguardar que a família retornasse pra matar sua curiosidade e experimentar aquele alimento tão cheiroso.  

Visto que sua mãe estava demorando então Marinha resolveu comer pelo menos um salgadinho daquele, mas ao comer a primeira coxinha e achar tão gostosa, deliciosa, que não parou mais. Foi gulodice pura, cem coxinhas pra dentro da barriguinha. Parece que estava presa debaixo de um balaio aqueles anos todos e morrendo de fome.
Conseqüência? Sim, começou a passar mal e por sorte seus pais chegaram pra socorrê-la. Foi levada imediatamente para o pronto socorro com dores fortes na barriga. Em virtude disso ficou internada por uma semana tomando soro na veia. 

Pensa que isso a deixou chateada e com nojo da comida, nada disso, ficou todos aqueles dias pensando em quando iria comer daquelas guloseimas de novo.  Mas havia adquirido um problemão, sua mãe de tão irada e preocupada a colocou de castigo e a proibiu de comer do salgadinho por um longo tempo.
Você não faz idéia das encrencas e confusões que Marinha se meteu por causa das coxinhas. Certa vez aprontou a maior choradeira em um chá de panela por que queria comer todas as coxinha do evento. Foi preciso sua mãe lhe prometer uma surra quando chegasse em casa pra ela se acalmar, mas ficou com um bico enorme. 

Outra ocasião quando ela já era mocinha, saiu escondida de casa para uma festa, pensa que era pra encontrar o namorado proibido pelos pais, nada disso, ficou sabendo que teria coxinha a vontade naquelas festividades. Lá deu trabalho para os garçons mandando deixar as bandejas cheias em sua mesa, seu colo já tava cheio e até na bolsa das amigas ela colocava. Importunou tanto que foi convidada pra sair. 

Bom, ela aprontou muito mais, a história dessa garota com as coxinhas e extensa que daria pra escrever vários livros.