Sejam Bem Vindos

Espero que curtam e acompanhem meus posts. Conto com a participação de vocês com comentários, sugestões e até mesmo críticas, desde que construtivas.

O Cego de Jericó

Com certeza Bartimeu saiu de casa aquele dia para mais um dia de rotina. Vs. 46 – Sentado à beira do caminho (solitário) - Jesus era seguido de seus discípulos e grande multidão, ele poderia pensar: “será que ele me notará, fará alguma coisa por mim?”

O Vulto da Mulher da Foice

Diz a lenda que em uma pequena cidade do interior, um vulto de uma mulher vestida de negro e com uma foice em punho era vista em pontos diferentes do lugarejo altas horas da noite por muitas vezes.

Seus Olhos

Seus olhos me olham profundamente, Num brilho que reflete em minha alma, Lá no fundo eles me dizem o que seu coração espera,

É Verdade Amor

É verdade amor Não tem mais como esconder O que sinto por você. Relutei, não queria aceitar Pensava: Ela é minha amiga, não posso me apaixonar

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

FELIZ 2012





Entendo que não há nada de sobrenatural na passagem de um ano para o outro.
Mas acredito no sobrenatural de Deus disponível a todos que crêem. O desejo de Deus é de nos abençoar sempre, a cada instante e ele o faz. Se está esperando o milagre de Deus e não consegue visualizá-lo, olhe pra você. Nossa vida é o maior milagre dEle pra nós.

Faça planos, projetos para o novo ano que está chegando. Lute por eles, para que sejam realizados, mas mantenha seus olhos fixos em Jesus Cristo e esteja sensível ao Espírito Santo, pois pode haver alterações no percurso e quando Deus nos alerta por alguma coisa é porque Ele sabe o que é melhor pra nós.
A Bíblia em Tiago nos diz:

"Eia agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã iremos a tal cidade, lá passaremos um ano, negociaremos e ganharemos.
No entanto, não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois um vapor que aparece por um pouco, e logo se desvanece.
Em lugar disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo". (Tiago 4:13 a 15)

Podemos e devemos fazer planos para nossa vida, mas os mesmos precisam estar em sintonia com a vontade de Deus. E como as coisas nem sempre são fáceis, os caminhos percorridos muitas vezes tem espinhos, pedras, sol quente ou chuvas fortes criando obstáculos. Entendo que pelo menos duas coisas são necessárias na jornada diária de nossas vidas não importando as circunstâncias - Fé em Deus e muito bom humor.

Desejo a você um ano novo de muito sucesso (sempre lembrando que pra isso é necessário muito trabalho), paz, saúde e felicidade.

Grande abraço,

Heron do Carmo

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

ENCONTRO CASUAL

Estava andando pelas ruas de Goiás quando então vi alguém passar pela calçada, meus olhos não puderam parar de observar, e fiquei olhando até que sumisse virando a esquina.


A partir de então tal fisionomia não saiu mais de minha mente e comecei a desejar encontrá-la novamente, ainda que não sabia quem era, seu nome ou coisa assim. O que eu sabia é que havia gostado do que vira e queria ver de novo.

Sempre que saía pelas ruas a fazer alguma coisa observava bem as pessoas que passavam dos dois lados da rua, dentro dos carros, lojas, bares e até dentro de algumas casas.


Algumas vezes sai por aí sem ter o que fazer, andando sem rumo pela cidade no desejo de encontrá-la novamente, mas todas essas tentativas haviam sido em vão.

Meu coração não conseguia mais esquecer aquele encontro casual, e dia após dia sentia aquele aperto no peito de saudade misturada com ansiedade de uma pessoa desconhecida.


Histórias eram criadas na mente devido ao desejo de conhecê-la. E sonhava acordado nos momentos de solidão em casa à noite ao tentar dormir, mas os pensamentos se voltavam para aquela linda fisionomia que havia tocado fundo meus sentimentos e até acho que estava apaixonado por aquele vulto desconhecido que havia passado por mim na rua numa tarde quente de Vila Boa.

 
Não sabia seu nome, nunca há havia visto antes, nem sei se de fato era uma vilaboense ou uma turista de passagem, o que sei, é que meu coração gamou.


As coisas na vida da gente acontecem em fração de segundos. A vida vai acontecendo em sua normalidade, quando de repente um fato novo se instala, e o curso de nossas vidas muda, e em muitos casos radicalmente.


Um encontro pode mudar totalmente nossa vida. Os pensamentos mudam, as ações, os sentimentos, isso é a vida. Duas pessoas que jamais se viram antes se olham e aí começa uma nova vida para ambos. Dali a pouco estão íntimos, sabendo tudo um do outro e ligados pelas cordas do coração, isso é o amor.


Bom, mas e quando isso acontece apenas de um lado, com apenas uma pessoa, como foi o meu caso acima dito, eu nem sei quem é a outra pessoa, nunca mais a vi, não sei qual a cor de sua voz, nem sei se haverá um reencontro. Mas, tem o outro lado, o se. Se ela me viu, se me notou, se seu coração gostou, se ficou parado na minha, se ficou me procurando na rua no cotidiano da vida, quem sabe voltou ao local do encontro casual para indagar pessoas da rua para saber se me conhecem, se sabem quem sou, se tentou explicar como sou, não sei se deu pra notar bem, pois foi algo rápido. Se nunca mais nos vermos, fica o se, ou o será...


Sabe que eu poderia voltar até aquela rua e perguntar as pessoas de lá se conhecem, ou se já viram-na passar por ali, será que vou lembrar detalhes de sua aparência, será que minha memória vai funcionar, pois já faz tanto tempo?


Essa história é apenas fruto da imaginação, mas é assim muitas vezes que as coisas acontecem em nossas vidas, encontros e desencontros. E nossa vida vai sendo vivida, sendo construída, fatos e fatos do dia a dia criando a história que ao menos pela lembrança poderá ser lida.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A CARTEIRA







Belize Aparecida era professora e trabalhava numa escola, ministrando aulas para classes de 5ª a 8ª séries do Ensino Fundamental na cidade de Faina, interior do estado de Goiás. 

Ela era bem esforçada e procurava se preparar bem para ministrar suas aulas na área de exatas, passando horas a fio estudando à noite. 

E quando estava no colégio procurava se concentrar no trabalho. 
O problema é que, enquanto ela estava em sala de aula, um colega de trabalho, o Brás José, funcionário da secretaria, vivia aprontando com ela. Ora ele pendurava sua bolsa no alto da parede da sala dos professores, próximo ao forro do teto, ora ele colocava a sombrinha da coitada dentro do freezer junto a carnes e frios em geral. 

Em outros momentos ele ligava no celular dela durante as aulas sem identificar o número passando algum trote. Mas isso tudo foi fichinha em vista do que ele fez certa ocasião.

Belize tinha um fusca vermelho que ficava estacionado na porta da unidade escolar enquanto ela lecionava. Então Brás fez uma plaquinha de vende-se, pregou no vidro traseiro do carro e ficou de boa. Ao terminar o expediente, a professora foi para casa sem perceber a trama. 


À noite, ela tranquila assistindo sua novelinha, quando alguém tocou a campainha. Ao atender, o sujeito perguntou se ela era dona do carrinho que estava parado na porta da casa, no que ela afirmou positivamente. Ele perguntou que ano era e disse que comprava o Volks. Ela disse que não estava à venda, o cara insistiu. Taxativa, disse que não. 

O cara começou a ficar nervoso e alterar a voz e ela ameaçou chamar a polícia. Foi quando ele falou que podia chamar, pois, “Se não queria vender, porque colocou a placa de ‘vende-se’?” Agora iriam resolver isso na delegacia. “Eu não coloquei placa nenhuma”, afirmou ela. Foi quando ele a levou até o carro e mostrou. Naquele momento ela soube que tinha sido o Brás. 

E prometeu acabar com ele no dia seguinte. Mas antes teve que convencer o sujeito de que tudo não passava de uma brincadeira de mau gosto. Gastou suas horas de descanso aquela noite nessa encrenca e nem dormiu esperando a hora de quebrar a cara do engraçadinho do “primo”, como o chamava, apesar de não haver parentesco entre eles.

Ao chegar à escola na manhã seguinte, com um rolo de macarrão na mão, disposta a arrebentar a cara do parente mesmo sabendo que isso poderia lhe custar uma suspensão, ficou sabendo que Brás José de Siqueira Dutra, vulgo “Braizin”, havia entrado de licença prêmio e viajado pro México, onde tentaria entrar clandestinamente nos Estados Unidos. 


Ninguém nunca mais teve notícia dele. Há quem diga que está preso na América e outros acreditam que morreu ao tentar atravessar a fronteira. Mas alguém afirma tê-lo visto num ônibus a caminho de Goiás Velho com esposa e filha.

Algum tempo depois Belize foi convidada para assumir a função de secretária administrativa da Superintendência Regional de Educação, o que a obrigava a frequentar a capital do estado, apesar da mesma não conhecer absolutamente nada por lá. Mas qual o problema nisso, um carro da secretaria a levava a Goiânia sempre que necessário. 


O motorista a conduzia aos locais das reuniões de trabalho e até em lugares outros pra resolver problemas particulares. Era uma mordomia daquelas, além do ótimo salário, até que o governo começou a cortar gastos e a mamata acabou. Se quisesse resolver problemas pessoais teria que pagar táxi ou pegar o coletivo.

Determinado dia ela precisou se deslocar até uma clínica para exames e teve que pegar o ônibus. Estava lotado, muita gente mesmo. Agora imagina pegar uma condução dessas e não ter onde sentar. Em pé, e com um cara sovando nela o tempo todo. O sujeito, depois de muito rela-rela, desceu na primeira parada. Foi quando uma pessoa lhe informou que o cara tinha mexido em sua bolsa. 


Ao averiguar percebeu que sua carteira não estava. Gritou para o motorista parar, mas só no ponto seguinte. Ao descer, pensou: “O que estou fazendo, não conheço nada aqui.” Mas ao levantar os olhos avistou o larápio entrando em outro ônibus. 

Agora, sem pensar, gritou e esperneou para que um carro vermelho que passava parasse. Parecia uma louca, só faltou descabelar, mas foi por pouco. Sem contar que quase foi atropelada, o cara parou quase em cima dela. Ainda sem pensar, ela entrou no carro do desconhecido e disse: “Segue aquele ônibus’’.

O carinha, ao saber do caso, parecia um piloto de Stock Car e enquanto dirigia fazia sinais pro motorista do coletivo parar. Até que parou e ela desceu correndo, invadiu o ônibus, passou pela catraca sem pagar, agarrou o marmanjo e foi logo dizendo: “Devolve minha carteira”, mas o cara retrucou: “Que carteira dona? Sua louca.” “Anda logo pilantra, passa pra cá minha carteira.” A discussão seguiu por alguns instantes com uma troca de elogios, “bandido, cachorro, marginal” “louca, perturbada, pinel”. 


Mas, diante de tanta coragem e firmeza, o ladrãozinho, parece que de primeira viagem, começa a amarelar e diz: “Se é sua, diz o que tem dentro.” “55 reais, que é pra eu pagar meus exames, e meu passe pra usar o transporte urbano, satisfeito?”, disse ela. Ele então enfia a mão no bolso e atira o dinheiro e os passes no chão, devolve a carteira e sai xingando-a de louca. Mas ao virar as costas é puxado pela camisa. “Espera aí, seu ‘assaltantezinho’ de merda. 

Deixa eu conferir se meus cartões estão aqui.” Recuperada a carteira com tudo dentro, liberou o punguista e somente de volta ao Faina é que percebeu que estava faltando algumas moedas e o santinho da sorte que carregava no bolsinho.

Belize Aparecida é assim, cheia de histórias. Pensa que acabou? Hoje está aposentada. Encontrei-a num velório esses dias, me contou que voltando a capital recentemente afanaram sua carteira de novo, mas essa aventura eu te conto outro dia.

Ah, esqueci-me de dizer que qualquer semelhança com fatos reais não terá sido mera coincidência.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

ONDE VOCÊ ESTÁ?



SERÁ QUE ELA VEM?





Sonho acordado
Sonho com ela



Sozinho por mais uma noite
Viajo em meus pensamentos


Divago...
Lembro-me de tantos e tantos momentos (sonho ou realidade?)
Importantes ou não.

Sei que são muitos,
Pois as horas são longas
Penso em alguém que não existe.
Melhor, vive apenas em minha mente.

Imagino-a chegando pra mim
Me querendo, me desejando, me amando.
São apenas conturbados sonhos.

que jamais chega.
Sonho, acredito(?)...
Será que ela vem?



quarta-feira, 10 de agosto de 2011

PAI





Pai, quando eu estava sozinho em meu quarto à noite e sentia medo, me lembrava de você e dormia tranquilo. Sabia que me protegeria.


Quando na escola as coisas não estavam indo bem, me lembrava de suas palavras, “você pode meu filho, você consegue”, e então tudo ficava mais fácil, e tirava boas notas.


Quando você estava viajando a trabalho, e ficava vários dias, e as lutas do dia a dia me pressionavam, lembrava dos momentos em que você me segurava nos braços e sentia seguro.


No meu primeiro trabalho, era inexperiente, um aprendiz e algumas tarefas eram extremamente difíceis e pesadas que eu achava que não conseguiria e até pensei em desistir. Mas ouvia sua voz me contando suas experiências profissionais na juventude e como tinha se saído bem, então eu prosseguia até que as tarefas se tornavam simples e corriqueiras.


E quando tive a primeira namorada, o primeiro beijo, os momentos bons. Descobri que estava amando. Você então me ensinou como eu deveria me portar. Ser um cavalheiro, educado, carinhoso. E era justamente como você tratava minha mãe.


Aprendi com você que deveria ser honesto, responsável, bom pai de família. Que se deve pagar o mal com bem e que nem tudo são flores na vida, mas muitas vezes encontramos espinhos e pedras pelo caminho e precisamos ter cuidado.


Aprendi também que devemos manter o bom humor sempre, mesmo quando tudo estiver complicado e difícil. E acima de tudo, conheci Deus através de você e sei que ele é Pai amoroso que está sempre conosco não importando a situação.


E você pai sempre foi um modelo do Pai celestial.

Obrigado!

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

RACHEL E AARON


Rachel tem tentado reconstruir sua vida, recomeçar após uma relação meio que frustrada nos últimos anos. 

Foi um relacionamento que começou cheio de alegria e paixão com direito a noivado e casamento com véu e grinalda, igreja cheia, uma grande festa e lua de mel incrível. 

No princípio as coisas estavam indo bem, parecia que seria mesmo uma linda história romântica. Mas, os dois foram se envolvendo no trabalho que lhes tomava muito tempo. 

Havia as viagens, as reuniões,... Um certo dia perceberam que já pareciam meio que estranhos um para o outro, quase não se viam devido aos horários diferentes de casa um, quase não se falavam mais, a não ser coisas corriqueiras do dia a dia. 

Certa manhã de domingo quando por acaso se viram juntos em casa depois de longa data de compromissos e viagens de um ou de outro tiveram uma longa conversa que acabou por levá-los a uma decisão seríssima. 

Entenderam que não havia mais como continuarem mantendo aquele casamento. Pra que continuar com algo que não os dava mais prazer, não existia mais amor, apenas respeito, consideração. E assim foi, uma relação de anos se encerrava naquela manhã fria de inverno. Ele se mudou no dia seguinte e ela começava um novo tempo em sua vida.


Meses depois, Rachel mesmo com o ritmo acelerado de suas atividades profissionais, durante as viagens de carro, solitária, pensava em retomar sua vida amorosa, construir algo novo, viver uma nova paixão. 

Algo estava certo em sua mente, era preciso recomeçar. Em uma ocasião, estava de carro andando bem devagar a procura de um cliente numa determinada rua, quando ouviu uma música ao longe que lhe chamou a atenção. 

Parou o carro, desceu e se aproximou de onde vinha aquele som. Aquela voz feminina cantava em inglês, “cry a river...”, ela foi se guiando pela música e lágrimas escorriam de seus olhos. A letra da canção a fez se lembrar dos últimos meses, da solidão, do casamento frustrado, da separação. 

Entrou em um corredor e seguiu para os fundos de uns prédios comerciais sem pensar, apenas indo até o local da música como que hipnotizada. 

Encontrou um barracão fechado, roupas no varal, cadeiras de fio na área. Bateu na porta tentando encontrar alguém, mas apesar de vir o som musical lá de dentro, ninguém apareceu. Insistiu e nada. Parece que tinham saído e deixado o aparelho de som ligado. 

Apesar de não encontrar ninguém, foi um momento especial pra ela, a letra daquela canção ficou marcada em sua mente, parece que era de sua autoria, visto que contava a história recente de sua vida. Sentia que algo mudaria em sua vida, algo novo aconteceria. Não tinha como explicar, era apenas um sentimento. Decidiu que voltaria ali depois.


Seguiu sua rotina, mas não esqueceu aquele endereço e aquela música. Os dias se passaram, os compromissos eram muitos, mas aquele sentimento continuava e uma ansiedade a incomodava, tanto que determinado dia cancelou todas as atividades, desligou o celular pra não ser incomodada e partiu para aquele endereço. 

Curiosamente, quanto chegava próxima àquela casa, a mesma música tocava “cry a river...”. Dessa vez não chorou, apenas seu coração ficou acelerado, batia forte. Entrou corredor adentro e encontrou a porta aberta, foi entrando como se fosse sua própria casa. 

Na sala um homem estava de pé. Um cara alto, simpático, sorridente olhou pra ela como se já a conhecesse e lhe disse: “_Olá Rachel, estava te esperando. Meu nome é Aaron. Sabia que você viria hoje. Na verdade faz dias que te espero”. 

Enquanto ele falava, ela apesar de meio surpresa o olhava como se fossem íntimos e lhe disse: “_ Já estive aqui antes, mas não encontrei ninguém. Há dias que meu coração me diz pra eu voltar, mas somente hoje consegui”. Aproximaram-se, se olharam e em seguida se beijaram longamente.


Rachel e Aaron começaram aqui sua história. Como explicar essa aproximação, o início desse romance? Algo sobrenatural? As respostas ficam por conta de sua imaginação.



Obs.: foto nessa postagem pesquisa google.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

O SONHO

Era uma vez um cachorro chinês, um gato português (ora pois, pois), um macaco holandês, um papagaio japonês, uma raposa “belorizontês” (cruzeiro), um galo quase “rebaixadês”, 

uma menina que não sabe o inglês, um político no xadrez (não é no Brasil), só se for o Maluf, um rio noroeguês, um plebeu de carro zero dando uma de burguês, o homem e uma gravidez, um picolé neo-zelandês, que estranho o homem no filme com a galinha e o “indês”, (indês: pra quem não sabe, o ovo que é deixado no ninho pra enganar a galinha pra ela botar outro ovo).

É domingo, a família reunida para o almoço: o Pai, a mãe, os filhos, a sogra, o papagaio, o cachorro, o gato, a barata, a mosca, as formigas, o namorado da filha mais nova, arroz, feijão, a carne, e a trivial “macarronadês”.


A igreja, a fuga, a imagem, o crucifixo, a hóstia, o bispo, o padre, a beata, o frei, o monge, o incenso, o choro da menina, o empurrão do rapaz (não é o namorado), o namorado lá fora, com a pedra na mão, atira na vidraça, que despedaça, olha a confusão, sirene ohohohohoooohhhh, polícia, milícia, prisão, bofetão, contusão, é falta, partiu Pelé pra bola, é fogo, é goooooooooool, do Brasil, olha lá, olha lá, olha lá no placar, 


opa, não valeu, o carro do Senna bateu, ele morreu, a vez agora é do Shumacher, hein, que história é essa? Não era um sonho?

... tã...dã dãdã ... tã...dã dãdã ... a noiva entrando na igreja, vai se casar, tapete vermelho... o noivo esperando no altar, cadê? Ele é o cara, eh! Sumiu... foi pro estádio ver uma partida de futebol, deixou a noiva no altar.... coitada!!!!!


Ficou satisfeita e foi pro forró na barra da tijuca, encontrou o Juca dançou a noite inteira, vestida de noiva, com véu e grinalda, anel de esmeralda...


Triiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiimmmmmmmmmmmmmmmmmmm....
_ Ah, não, seis da manhã, tá na hora de levantar, foi tudo um sonho, não acredito, justo na hora que eu ia... bom, vou levantar lavar o rosto, tomar um bom café por que o dia hoje vai ser daqueles.

terça-feira, 7 de junho de 2011

TE QUERO


Penso em ti,
Desejo ter-te,
Te sentir, tocar em você
Abraçar-te bem apertado
Envolvendo-a em meus braços,
Afagar seus cabelos,
Acariciar seu rosto
Sentindo a textura de sua pele, macia e sedosa;
Sentir o pulsar de seu coração
E o calor de seu corpo;
Olhar bem em seus olhos
E desvendar seus mistérios mais ocultos,
Tocar seus lábios com os meus,
Beijando-a
No mais profundo desejo de amor.


TE AMO!


terça-feira, 24 de maio de 2011

TREZE ÔNIBUS

Treze ônibus em um dia só, veja o itinerário, que começou bem de manhã:
- Saída da casa da Mirva a pé até o ponto do Eixo.
- Eixo até o Terminal da Bíblia.
- Praça da Bíblia até o Terminal Isidória.

No Isidória, pego errado o 014 Pq Atheneu. - Percebo a burrada no caminho, desço e pego novo ônibus de volta pro Isidória. No ponto tinham quatro trombadinhas. Fiquei preocupado, sem demonstrar, com medo de me roubarem, mas eles precisavam de mim pra pegar o ônibus. Nenhum motorista pararia ali só com esses caras esperando.

Terminal Isidória de novo, agora pego o 014 Campinas e desço perto da Serrinha. Sigo a pé até o Instituto do Rim, que é perto. Pego pedido de cirurgia com o médico e vou a pé até o Ipasgo, que, para nós, acostumados a andar, não é tão longe. No Ipasgo, faço cadastro do pedido e me dizem que preciso voltar à tarde.

- Volto até o ponto de ônibus próximo ao Hugo e pego um bus de volta para o Isidória.

- No Isidória, começo a fazer a viagem em sentido contrário. Voltando, pego o 020 para a o Terminal da Bíblia.

- Desço no Terminal da Bíblia, pego o Eixo até o primeiro ponto após o terminal e desço a pé pra casa da Mirva.

- Final do primeiro tempo, foram 8 ônibus.

- Às 13 volto a pé até o ponto do Eixo, pego o mesmo até o Terminal da Bíblia (não é nenhum homem morrendo no livro santo).

- No Terminal da Bíblia pego o 020 para o Terminal Isidória.

- No Isidória, sem errar agora, pego o 014 Campinas e vou até o Ipasgo.

- Fiquei de molho no Ipasgo até o médico chegar e autorizar a cirurgia, tive que voltar ao térreo pra fazer o mesmo cadastro que fiz de manhã, quem entende, paciência, fui. Ah, esqueci de dizer que a auditoria era no primeiro andar, no ir e vir peguei elevador várias vezes. Bom, no final deu tudo certo.

- Volto ao ponto, pego novo ônibus, lotadíssimo e chacoalhando pra lá e pra cá até o Terminal Isidória.

- No Terminal Isidória pego o 020 abarrotado em direção ao Terminal da Bíblia. Sempre em pé e segurando com uma mão só, a outra ocupada em segurar a sacola com os trocentos exames que fiz nos últimos dias, necessários na auditoria. É bom dizer que o médico nem bem chegou e já estava autorizada a cirurgia, o que indica que ele nem olhou os exames. Tudo bem, graças a Deus que liberou.

Bom, ainda no 020 em direção ao Terminal da Bíblia, tava difícil, motorista com pressa, dando cada freada que a gente balançava que nem João bobo.

Algo interessante de dizer é que as pessoas, os usuários dos coletivos, são geralmente muito educadas, com exceção de uns muitos poucos.

- Finalizando, do Terminal da Bíblia, peguei o Eixo até a primeira parada após terminal, debaixo de chuva, e voltei a pé até a casa em obras de dona Mirva. Ufa! - Foram 5 ônibus, somando aos 8, 13.


Texto: Heron José do Carmo
Ilustração e Supervisão: Delcidério do Carmo

quarta-feira, 18 de maio de 2011

ISSO ACONTECE TODOS OS DIAS EM GOIÂNIA


Trrrriiiiiiiiiiiiiin!!!!!!
São cinco horas da manhã, o despertador toca desesperadamente, avisando a Mundim que é hora de acordar.
Ele acorda, esfrega os olhos ainda deitado, abre a boca num bocejo, assenta-se na cama, não tem outro jeito, é preciso se levantar, pois, a jornada vai ser longa hoje.


Levantou-se e foi se preparar para a viagem, o “Moreira” sai às seis horas e a rodoviária fica distante de sua casa. O pior é que está chovendo lá fora. O dinheiro está contadinho pra viagem, não dá para o táxi, vai ter que enfrentar a chuva. Arruma-se, despede-se da esposa, entra no quarto dos filhos, os abençoa e sai.


Ao sair à porta com um guarda-chuvinha de 1,99 gotejando sobre ele, o pior, cachorros latem brigando com um gato listrado, ele se assusta, escorrega-se e quase cai. Deu pra sentir como será seu dia.


Chega correndo até a rodoviária, visto que a chuva estava forte. O ônibus já estava saindo e ele chega gritando:


— Espere aí, espere aí, eu vou nesse ônibus.
O ônibus para e ele corre ao guichê para comprar a passagem e leva uma bronca do vendedor pelo atraso.


Ao entrar no ônibus o motorista também lhe bronqueia:
— Não tem vergonha de chegar atrasado e retardar a viagem dessa forma não, da próxima vez põe o despertador pra te acordar.


Entra, assenta-se na poltrona 29 ao lado de uma senhora bem gorda que além de ocupar seu assento e ainda parte do dele, olha-lhe com um olhar de censura. E o pior ainda viria, durante aquela viagem, a mulher do lado, dormiu, roncou, tossiu e até conversava dormindo:


— Eu quero um x-salada especial com dois ovos e duas carnes, dois litros de Coca cola, depois vou querer um creme de morango...


Ele a cutuca pensando:
— (E eu que nem tive tempo de comer alguma coisa) Dona, dona, acorda senão vai ter uma congestão.


Enquanto os pneus do ônibus deslizam nas águas da chuva no negro asfalto, ele não consegue cochilar pensando em tudo que precisa fazer na capital e se preocupa com o volume de chuva que cai lá fora, vai ser difícil esse dia.
Já está claro lá fora quando eles chegam na estação rodoviária.


Como tinha muito o que fazer não deu tempo nem de tomar um cafezinho solitário. Ia ter que andar muito e debaixo de chuva, pois não tinha dinheiro para o coletivo, perguntou a alguém ainda na rodoviária como fazia pra chegar em determinado local e perna pra que te quero. Fico pensando, ainda mais ele que gosta de tudo muito arrumadinho, sapatos impecáveis, roupas sem amassar. 


Seus primeiros passos na rua foram trágicos, visto que além da torrencial chuva que seu amigo guarda chuvas não cobria nada além da cabeça, pisou em uma possa d’água e encharcou os pés. Se fosse outra pessoa teria xingado algum palavrão, mas ele não, apenas disse, “ai meu Deus”.

Depois de muito andar, em um determinado local, quando atravessava a rua, quase que uma moto lhe atropela, essa foi por pouco, escapou quase ileso, não fosse a água da enxurrada jogada pelos pneus da moto sobre ele. É ruim hein? Nesse momento pensou em sua casa, sua caminha sequinha e quente e num bom café, bem quentinho, mas voltou logo a si quando uma buzina gritou em seus ouvidos, era um carro que quase lhe pega, mas ele chegou bem do outro lado da rua e quase tromba com um rato velho que passou correndo pela calçada. Ele pensou alto: “Rato nojento, argh!”


Por volta de meio dia, todo molhado e com muita fome entrou num boteco pra comer alguma coisa, talvez um pão com mortadela, que era o que seu dinheiro permitia-lhe comprar. Quando estava entrando passa um garoto correndo e lhe da uma trombada, que se não tivesse segurado na porta teria esborrachado no chão molhado.


Bom, entrou pediu o lanche, comeu e quando foi pagar, passou a mão no bolso que estava vazio, foi quando assustado percebeu que o garoto da trombada havia lhe batido a carteira. E agora como explicar isso ao balconista? Quando lhe timidamente e muito envergonhado disse, o homem meio irônico lhe disse: “Isso acontece todos os dias em Goiânia”.


O jeito foi lavar copos e limpar mesas e o chão do bar pra pagar a conta, o que lhe tomou um tempão e a caminhada até seu destino era ainda longa.


Saiu chateado com a perda da carteira e pensando na frase do homem do boteco: “Isso acontece todos os dias em Goiânia, isso acontece todos os dias em Goiânia...”
Curioso? Depois eu conto o resto...

quinta-feira, 5 de maio de 2011

DEPUTADO REI DA PINGA








segunda-feira, 2 de maio de 2011

MÃE










Pensas estar envelhecendo, não se importe, pois se o vinho quanto mais velho é melhor, quanto mais a vida humana, o vinho fica mofando na adega, mas nós com o passar dos anos adquirimos conhecimento, maturidade e sabedoria.

Achas que as rugas estão te deixando feia, ou menos bonita? Não importa, o que importa é que sua beleza de mãe é eterna.

Se tens defeitos? Não se preocupe com isso, todos temos.
Achas que falhou conosco em nossa criação? Não perca tempo com isso, nem fique triste, pois estamos felizes com a mãe que temos.


Se houve falhas, houve muito mais acertos, basta olhar para nós, nos analisar e perceber quão maravilhosa mãe Deus nos deu.


Se sentir-se sozinha, não deixe esse sentimento tomar conta, pois saiba que nós, mesmo que distantes às vezes, estamos sempre contigo.


Nesse seu dia, leve a certeza de que é lembrada, amada e muito querida não somente hoje, mas em todos os outros 364 dias de cada ano.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

SE FÔSSEMOS ÁGUA






Já pensou se fôssemos feitos apenas de água?


Ao invés de andarmos por aí, nas ruas, cercados de casas, carros e gente.



Seríamos como rios andando em seu leito beijando as margens, avistando as matas,a natureza, sendo habitat dos peixes, matando a sede dos animais, das aves, regando as plantas.



Nossos amigos, nossa família seriam outros rios, lagos, córregos, lagoas, cachoeiras e cascatas.


Seguiríamos nosso curso e desaguaríamos no mar.



Como se fosse um encontro do homem com seu criador que é Deus.

terça-feira, 19 de abril de 2011

MENSAGEM DE JESUS PRA VOCÊ


Filho(a),

Um dia deixei toda minha glória no céu ao lado do pai por causa de um propósito. É que meu pai e Eu amamos o homem imensamente. Ao olharmos para terra não vimos um justo sequer, a humanidade estava corrompida e os seres humanos, que criamos nossa imagem e semelhança estavam desfigurados, por causa da prática do pecado, e condenados à morte, pois, o salário do pecado é a morte.

Então chegou o momento do pai colocar seu plano em ação, ou seja, era necessário que um justo morresse pelos pecadores, foi quando eu, deixando toda glória no céu, desci me submetendo a ser gerado no ventre de uma mulher, nascendo, e tendo que viver num corpo humano, perecível e sujeito ao pecado, mas com a missão de nunca pecar, permanecer puro, viver em santidade, em comunhão com o Pai, vencer o pecado, e foi o que fiz, e além de tudo isso, ainda era necessário morrer, e isso com muito sofrimento, humilhação e dor.

Talvez você não saiba que se caso eu pecasse, perderia eternamente meu lugar de Filho de Deus, de Deus Filho e estaria também condenado. Mas era-me necessário correr todos os riscos para ligar o elo da comunhão entre Deus e os homens que estava quebrado por causa do pecado. Bom, você, com certeza sabe de todo sofrimento que passei, e olha, valeu a pena, pois a alegria que me estava proposta era muito maior, pois, por causa da vitória na cruz, resgatei o homem a mim.

Resgatei você para mim por um alto preço, e é por isso que quero neste momento dizer pra você que te amo muito e desejo ter grande comunhão contigo, renovando seu espírito, basta você começar a me buscar, como nunca antes, e sua vida vai mudar. Se você deseja alegrar meu coração, lute contra o desânimo e venha para mim e Eu vou renovar sua vida, pois te amo muito, você sabe disso, lembre-se de minha paixão e morte, foi por você, pois meu amor por ti é eterno.

Nunca desista, levante-se, que tal começar agora a me buscar, pois estou de braços abertos, basta você se jogar neles para eu cuidar de ti. Venha... essa é a hora!






Jesus Cristo.

terça-feira, 12 de abril de 2011

FALTAVA-ME UM PEDAÇO


Não te conhecia

E em meu coração faltava um pedaço

Meus olhos te viram

E o meu coração disse:

Ela é o pedaço que me falta.

Daí em diante, dia após dia,

Meu coração não me deu mais sossego

Era só te ver que ele batia mais forte.

Sempre que te via,

Ele batia, batia...


Cada vez batendo mais forte.

Passei então a pensar em você,

Sonhar com você, te querer.

Faltava-me um pedaço,

Esse era você, você é meu pedaço.

Por acaso um dia

Você apareceu

E daí em diante

Nossos corações têm se ligado,

Se encaixado.

Me faltava um pedaço,

Agora não falta mais,

Você chegou, me completou...

Estamos ligados pelo amor,

Seu coração no meu, o meu no seu,

Nós dois... TE AMO!!

quinta-feira, 31 de março de 2011

A MULHER ESQUELÉTICA‏



Me chamo Polly, tinha um namorado que me amava muito. Ele gostava do meu corpo e me achava em forma, eu me achava gorda. Resolvi agradar as amigas e não ele. Passei a fazer dietas e mais dietas. Nada de doces, comidas calóricas e muito menos chocolate. Os bombons que ele me dava deixei de lado. Fui ficando magra, magrinha, magérrima. Esquelética mesmo. 

Minhas amigas sempre me elogiando, dizendo que eu estava em forma. E eu toda contente. Mas não percebia que minha vida estava mudando. Meu namorado cansou de me dizer que eu estava muito magra e me trocou por outra,“gordinha”. 

Confesso que não entendi. Eu toda em forma e ele me troca por uma gorda. Continuei minhas dietas e regimes e quase nem comia mais. Tinha dia que era somente duas folhas de alface, outro duas bolachas de água e sal. Fui me dar por conta, quando tive que ir ao médico devido a um mal súbito, desmaio mesmo, sabe? E ele disse que eu estava couro e osso. 

E, pior, doente. Sim, doente. O doutor me disse que se continuasse assim eu iria parar no cemitério. Doeu! Foi aí que caí na real e percebi que estava me acabando, sumindo, morrendo. Então percebi que ainda tinha tempo de me recuperar. 

Parei de dar ouvidos às minhas amigas, pois elas nem mais andavam comigo por vergonha. Voltei a me alimentar bem, com a ajuda de um nutricionista. Ganhei peso, aos poucos recuperei a forma, encontrei um cara que me ama e vou até me casar. E não é que minhas amigas se aproximaram de novo e dizem que eu estou criando pneuzinhos? Mas quer saber, não estou nem aí. Tô em forma, tô feliz.

segunda-feira, 7 de março de 2011

O CAMINHO DAS PEDRAS




Ao ler o título talvez você esteja pensando que caminho seja esse. Poderia ser as ruas do centro histórico da Cidade de Goiás ou então a descoberta de um veio de diamantes, pedras preciosas, mas não é nada disso.

Há mais ou menos um ano e meio, tenho feito sessões de flexível para quebrar pedras nos rins. Nesse período foram quatro cirurgias. Tudo começou no final do ano de 2008 quando num final de semana sofri com cólicas renais e não foi nada bom. Somente quem já sofreu pelo menos uma pode entender o que passamos. 


A dor não se concentra apenas nos rins, mas interfere em todo o organismo. Minha mãe dizia que era bem semelhante às dores do parto. Às vezes penso que as pessoas não entendem bem o que é sofrer dessas cólicas renais. A primeira coisa que te dizem é: “Você tem que beber água”. Como se a gente não soubesse ou não o fizesse nunca. Não tente explicar pra alguém que sofre dos rins que ele precisa beber água, isso é natural e os médicos já dizem o tempo todo. Bom, voltando às cólicas, passei de sexta a domingo sofrendo muita dor, até que urinei uma pedrinha. 

Geralmente quando se tem cólicas nos rins, é porque algum cálculo quer sair. E foi o que me aconteceu naquela ocasião. Mas com o passar dos dias percebi que continuava a urinar fibrina (uma substância gelatinosa) e sentir incômodo nos rins e foi então que procurei um médico, fiz exames e ficou constatado que tinha pedras grandes nos dois rins, melhor, pedras não, verdadeiros tijolos. 

O urologista disse que a do rim esquerdo era do tamanho de uma azeitona e do direito semelhante a um ovo de codorna, pra mim mais parecida com uma castanha de amendoim de uns três centímetros. Descoberta a pedreira era necessário começar a detoná-la e segundo o médico, da forma menos agressiva ao organismo. Constatado através de exames que eu estava apto para as cirurgias era hora de começar. Seriam as flexíveis. 

Até agora foram quatro. Em 2009 fiz duas pra quebrar a pedra do rim esquerdo que estava em situação mais ofensiva como um centroavante na boca do gol. Estava causando inclusive uma hidronefrose (Distensão da pelve e cálices renais pela urina, em conseqüência da obstrução ureteral, observando-se, também, atrofia do parênquima renal; uronefrose). Em 2010 foram mais duas no rim direito. Pedra dura, será preciso pelo menos mais uma pra destruí-la totalmente. Começava aí o caminho das pedras. Até então nesses meus quarenta e sete anos, havia ficado internado apenas por duas vezes. 

Aos 14 anos por cinco dias por causa de uma infecção urinária e dez anos depois, passei uma noite no hospital por causa de uma cólica renal, imagine. Se você tem vergonha de algumas coisas, quando vai para um hospital talvez precise deixá-la em casa. Internei-me para a primeira cirurgia e apenas com uma camisola dessas de hospital foi levado ao centro cirúrgico onde o anestesista lhe faz uma pequena entrevista ao mesmo tempo em que injeta sedativo no soro, no meu caso nem sei quando foi que dormi. 

Já durmo facilmente sem essas drogas. Nem percebi quando me aplicaram a anestesia na coluna e somente acordei quando já tinham terminado o serviço. Um cateter ficou dentro de mim, uma espécie de mangueira da largura do canal da urina fazia uma ponte entre o rim e a bexiga, é por ali que sairiam os resíduos “pedrais”. Voltei pro quarto ainda sem sentir direito as pernas por causa da anestesia sem calças e com uma sonda na ponta do pênis. Seminu durante um dia e uma noite inteiros. 

Agora imagine, com uma sonda pendurada no bilau e um soro ligado no braço, ninguém te visita, mas entra e sai gente da enfermaria toda hora. Por isso disse que é preciso deixar a vergonha em casa. Como foram quatro cirurgias, nas últimas você perde a vergonha e nem se importa com nada. Nem enrubesce quando a enfermeira vem tirar a sonda no dia seguinte. Fica de boa. Só não da pra ficar tranquilo na hora de urinar, hum, vai arder lá... é isso mesmo, lá onde você pensou. Ah, a flexível é feita através da uretra, o aparelho é introduzido até no rim onde a pedra é bombardeada com laser durante uns quarenta minutos.
 

Não pense que minha experiência com as pedras começaram nesse período, muito pelo contrário, tenho convivido com cólicas renais e pedras, que eu me lembre, desde minha adolescência. Quando estamos sofrendo dores fortes não precisamos ficar desesperados, nervosos, nem muito menos maltratar as pessoas. Procuro manter a calma e a tranquilidade. 

Deve ser por isso que numa ocasião quando fui a um posto de saúde, visto que já não aguentava mais de tanta dor e a atendente não me deu a mínima, deve ter pensado que eu estava mentindo, pois conversei normalmente com ela. Ela disse que a médica plantonista, uma pediatra, diga-se de passagem, estava para o almoço, isso por volta das cinco da tarde e que eu teria de esperar. 

Olhei para a rua e avistei uma farmácia e me dirigi para lá onde fui bem atendido e tomei uma injeção de buscopan na veia. Tive várias cólicas e urinei um incontável número de pedras nesse longo período. Já te conto a que talvez tenha sido a pior delas. Antes falta dizer que fiz muitos exames de sangue e urina, raios-X? Perdi a conta. Ultra-sonografia um monte, cintilografia apenas uma, é um exame feito com energia nuclear, é mole? 

Pra mim o pior de todos é a urografia, uma espécie de radiografia em que você precisa tomar um contraste, além de um laxante que te faz passar a noite no banheiro, ficar sem comer e ter sua barriga espremida por uma tela pelo menos durante uma hora. Numa dessas sessões, minha pressão abaixou tanto que o próprio radiologista desesperou. Nessa mesma ocasião fiquei das sete até às onze da manhã pra completar o exame.
 

Bom, era o ano de 1981, meu pai e eu tínhamos viajado pra casa de uma tia minha em Contagem na grande BH, certa noite dormíamos em um colchão jogado na sala de estar, quando lá pelas três da madrugada comecei a rolar pra lá e pra cá com dores nos rins. A princípio fui aguentando, mas a dor da cólica foi aumentando e aumentando numa força tal que como eu disse lá atrás nesse texto descontrolou todo meu organismo. 

Tive que correr para o banheiro, ao mesmo tempo em que evacuava, vomitava, uh! Pra que lembrar isso. Como minha tia era muito sistemática, mesmo com aquela terrível dor, ainda fui dar uma lavada no banheiro com medo dela brigar comigo. Voltei para a cama, quando meu pai percebeu. Disse a ele que estava com fortes cólicas renais e logo ele e meu tio saíram comigo, por volta das quatro da manhã pra procurar uma clínica ou hospital de plantão. Não tínhamos carro, então fomos para o ponto de ônibus esperar o primeiro que passasse. 

Eu sentava na calçada, levantava, sentava de novo, péssimo. Pegamos o coletivo, ainda bem que não estava muito cheio e paramos próximo a uma clínica. Pra você ver o quanto isso é terrível, quando me atenderam e a enfermeira foi fazer a injeção, a dor já tinha trespassado. Fiquei o resto do dia com medo da dor voltar, sem contar aquela sensação estranha que fica depois dessas famigeradas. Uns meses depois já em casa urinei a pedra.
 

Já tomou chá de quebra pedras, chapéu de couro, conta de lágrimas? Eu, aos montes e pra mim nunca adiantou nada.
Vou indo, se quiser me encontrar, sigo no caminho das pedras.








NÃO POSSO ENTENDER



Eu não consigo me entender,
como pude deixar
as coisas chegarem aonde chegaram,
parece que já estava tudo resolvido,
E tudo estava tranqüilo,
Mas, de repente uma chama forte de amor, paixão,
Sei lá, reascendeu forte em meu coração.
Tão forte que só penso em você, o tempo todo.
E isso me aperta o peito gerando ansiedade
E angústia ao mesmo tempo,
Pois não sei o que fazer, pareço um bobo.
Fico atirando setas em sua direção
Pra ver se você se toca, se corresponde,
Mas você está quieta,
sei,
como você mesma disse,
parece estar surpresa com minhas atitudes
depois de tudo acabado, o tanto que te fiz sofrer
em um passado tão recente
e agora, olha eu de novo
declarando amor por ti
de fato é muito estranho,
pois nem mesmo eu entendo
só sei te dizer que essa sua indiferença, seu desprezo
estraçalham-me o peito, e isso dói demais
sou mesmo um tolo em te amar.

heronjc@hotmail.com
HERON’S – heronfashion43.blogspot.com

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

A MULHER DO JORGE



("Eu já nomorei e até casei com a mulher do Jorge")


Jorge era um cara sério, honesto, trabalhador e muito boa gente que morava numa cidadezinha do interior. A maior parte do seu tempo passava no trabalho numa loja de materiais para construção onde era gerente de vendas. Tijolos, areia, cimento e outros itens eram negociados diariamente pelo sujeito. Era muito respeitado pela honestidade e retidão de caráter. Preferia levar prejuízo em algum negócio do que prejudicar alguém. Se havia dúvida, dava razão ao cliente. Dizem os amigos mais chegados que poderia construir uma casa grande e muito boa com todo dinheiro perdido nessas situações. Pois fazia questão de ressarcir a empresa e tudo era abatido em seu salário.


Ao sair do trabalho à tardezinha, sempre passava no bar do “Seu Zubão”. Zubão era um sujeito negro e vivia sempre enfiado numa roupa listrada de cinza que mais parecia um pijama. Seu boteco era simples e sempre muito limpo, pois exigia muito de sua funcionária, Mara Gavetinha. Ela sempre muito calada, aguentando os enjoos e chateações de uns clientes que passavam o dia todo por lá. Uns caras folgados que parece, não tinham o que fazer. Milnério, um metido a galã, cheio de lábia e que não pegava ninguém fazia muito tempo. Isso é se já pegou algum dia.Ficou sumido uns três meses e não se sabe por onde andou. Tem quem diga que foi atrás de um rabo de saia, mas sentiu saudades de “Gavetinha”. Seu amigo Zapateiro (um afrodescendente engomadinho) que é muito ligado à moça avisou-lhe que ela estava sozinha novamente, apesar de muito assediada. Marca ponto na birosca também um loirinho.


O principal assunto não somente no bar, mas em todo o lugarejo é uma linda e atraente mulher. Seu corpo avantajado e bem torneado (diz logo, “Deusa Grega”) atrai a atenção dos homens, inclusive os comprometidos. Até as mulheres e religiosos não cessavam de falar dela. Com certeza, Cirna, seu nome, uma croata por descendência, fazia parte das fantasias amorosas da marmanjada. Apesar de ela ser muito séria e não dar moral pra qualquer um (nunca tinha saído com ninguém até então), as esposas tinham o maior ciúme e despeito da garota.


Jorge era solteiro e solitário e tinha sonhos de formar uma família. Além de ser boa pinta, era estabilizado. Tinha um bom emprego, casa própria, carro do ano. Mas seus amigos diziam que ele não tinha sorte com as mulheres, tanto que podia contar nos dedos as namoradas, umas cinco (Gilda, Estela,...). Ele dizia que a verdade é que não tinha encontrado a pessoa certa pra ser sua eterna companheira, mãe de seus filhos e que passaria a velhice juntos e todo esse costumeiro discurso. O cara era tradicional e acreditava piamente nessas coisas. Era capaz de ser um ótimo pentecostal renovado e ainda ter namoro de corte.
 

A verdade é que foi durante uma tarde quente de verão, que Jorge estava tomando um suco (pois é o cara não bebia) no bar do Zibão com seu melhor amigo, o Naldo, diminutivo de Telefonaldo. Nome próprio pode acreditar. Coisa de seu pai quando foi registrá-lo, mas não me pergunte por quê. Bom, voltando ao assunto, naquela tarde Jorge conversava com os amigos no bar quando avistou do outro lado, caminhando pela rua, uma mulher, vestida de calça jeans justa, cós baixo, uma blusinha cavada curta e o umbiguinho de fora. Ai, ai, ai... Meu Deus. Sim, foi justamente o que Jorge pensou em voz alta. Seus olhos vidraram e não mudaram de direção. Seu coração disparou de tal forma que quase engasga com o suco. Ficou automaticamente apaixonado. Quem era a mulher? Cirna, claro. A deusa croata. O mais interessante é que ela também ao caminhar olhara para dentro do bar, meio que discretamente e curiosamente avistou Jorge.

Passados uns dias, precisamente dois meses, melhor, uns cinquenta e oito dias. Estavam namorando. Ah, não me peça detalhes de como foi o primeiro encontro, primeiro beijo, ou coisa parecida. O certo é que estavam namorando e apaixonados e já haviam marcado o casamento para dali três meses. Noivado? Com um mês juntos o cara já tinha comprado as alianças.


Jorge estava ansiosíssimo para a noite de núpcias, pois sonhara com esse dia a vida inteira e se guardado para tal e da mesma forma a garota, a croata Cirna.
O grande e esperado dia chegou. Casaram-se na igrejinha da cidade com efeito civil, ou seja, apenas uma cerimônia. Com direito a uma ornamentação digna de toda noiva e nesse caso, que noiva. Cirna estava lindíssima. Depois num hotel fazenda cedido pelo dono da loja de materiais para construção, o patrão de Jorge, aconteceu a festa. Uma recepção de impressionar pela organização. Um bufê da capital fora contratado para o serviço. O noivo queria o melhor e assim foi. Toda cidade foi convidada e compareceu em peso. Mas não me peça detalhes, de novo não. Vamos direto para a noite de núpcias.


Enquanto seguiam de carro para o hotel escolhido para a primeira noite, Jorge relembrava como tinha sido os últimos dias de solteiro. Passou boa parte deles nervoso, angustiado e muito, mas muito ansioso. Chegou a dar taquicardia algumas vezes. Certo dia Telefonaldo lhe disse: “Calma cara. Desse jeito vai colocar o coração pra fora”. A tensão era muita, meu Deus, ter aquela deusa nos braços e pra sempre, uh! Uuuuuuh! Coração acelerava que assustava.
Já na suíte, enquanto ela se arrumava em um compartimento separado, preparando-se para ele. Aquele ritual sabe não é? O cara deitou-se na cama e a ansiedade aumentou e veio a taquicardia.
Meia hora depois Cirna apareceu toda linda e perfumada e encontrou o cara apagado.


No velório ela era só choro, não conseguia nem falar. Apenas repetia baixinho, bem baixinho: “Jorge, porque Jorge?”.
Meses se passaram e certo dia no bar do “Seu Zibão” uma turma bebia e batia papo quando alguém disse: “Eu já namorei e até casei com a mulher do Jorge”. Era Loirinho, lembra-se dele? Acontece que esse sujeito sempre invejou muito a vida que Jorge levava e quando o cara se foi ele se aproximou da viúva na intenção de confortar, aproveitou da fragilidade da moça e acabou conquistando-a.


Não da pra terminar com, “E viveram felizes para sempre...” Então, “Jorge abriu os olhos, bocejou, olhou para o lado e lá estava Cirna dormindo como um anjo.”